Kraw PenasCom um certo bom-humor, ambientalistas de Curitiba protestam contra a instalação da fábrica da Renault, especialmente numa região de mananciaisEcologistas do Fórum Pró-Conservação da Natureza e integrantes do Partido Verde realizaram ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, um protesto bem-humorado contra a inauguração da montadora Renault, que acontece hoje. Vestidos de Papai Noel, eles alegavam que a instalação da montadora na Região Sul da Região Metropolitana, na cidade de São José dos Pinhais, favorece a degradação de mananciais, entre eles o Rio Pequeno. ‘‘Não somos contra a instalação da empresa e o programa de geração de empregos, mas sim contra a falta de atenção aos critérios ambientais’’, diz um dos coordenadores do Partido Verde, Manuel da Silva.
A assessoria da Renault do Brasil tem divulgado que a preservação do meio ambiente é uma preocupação da empresa, e que estaria trazendo para o Brasil as mais avançadas técnicas para evitar acidentes ecológicos. Tal postura teria motivado inclusive o desenvolvimento de uma tinta à base de água, com baixa toxicidade para usar aqui.
Para Silva, a utilização por parte da empresa Renault de tecnologias de última geração para evitar a poluição ambiental não é suficiente para impedir a degradação do meio ambiente. ‘‘Muitos dos fornecedores e empresas acessórias que estão se instalando por lá não possuem o mesmo nível de tecnologia da montadora francesa e a população é que vai pagar por isto’’, disse.
Segurando uma caixa simbolizando um ‘‘presente de grego’’ dos empresários franceses para o Paraná, Silva reclama que seria, na verdade, um ‘‘presente para a população do Estado, mas da população para os donos da empresa’’. ‘‘O governo deu terreno, serviços, infra-estrutura e dinheiro para atrair a empresa, inclusive o Rio Pequeno que matava a sede da população’’, disse.
O presidente do Instituto Gaya, o ambientalista Tiaraju de Mesquita Fialho, alegou que a instalação das unidades industriais poderia acontecer em outra região da RMC, com vocação para tal atividade. Fialho critica os autores do projeto que escolheram a região Sul. ‘‘A vocação da região é produzir água. Quais seriam os interesses que motivaram a implantação de montadoras lá?’’ pergunta.
O ambientalista afirmou que mais cedo ou mais tarde a população é quem vai arcar com o problema. ‘‘Isto vai acontecer quando as fontes de abastecimento estiverem cada vez mais distantes, os tratamentos para tornar a água potável cada vez mais caros, ou quando projetos de recuperação dos mananciais como o Prosan - com orçamento de R$ 300 milhões - tiverem de ser implantados para recuperar o que foi destruído. (G.V.)

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