Ecologistas ameaçam boicotar turismo
A União das Entidades Ambientalistas do Paraná (Uneap) anunciou que pretende criar uma estratégia para boicotar o turismo em Foz do Iguaçu caso não seja feita a desocupação do Parque Nacional do Iguaçu, que foi invadido no dia 11 de janeiro por mais de 200 pessoas.
Os invasores, moradores das regiões Oeste e Sudoeste do Estado, reabriram a Estrada do Colono, que corta o Parque do Iguaçu, entre Serranópolis do Iguaçu e Capanema. A estrada estava fechada por determinação da Justiça Federal desde 1986. Ainda em janeiro, a Justiça determinou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizasse a desocupação da área. Mas o Ibama se julgou incompetente para a ação.
Na semana passada, os ambientalistas enviaram um ofício ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pedindo a utilização de tropas do Exército para desocupar o parque.
Segundo o ambientalista João Bello, de Curitiba, o movimento de boicote ao turismo em Foz será feito através de Organizações Não-Governamentais (ONGs), principalmente as que são ligadas à Unesco (organismo das Nações Unidas que trata de preservação histórica, cultural e ambiental no mundo). O Parque Nacional do Iguaçu é considerado pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.
O boicote será feito via Internet e através de contatos diretos. Vamos alertar todas as organizações sobre o descaso que está acontecendo com o Parque Nacional do Iguaçu, que os políticos esquecem tratar-se de um patrimônio da humanidade, disse Bello.
Ele informou também que, se as ações para desocupar o parque tiverem agilidade, o movimento poderá ter outra finalidade. Se houver bom senso por parte das autoridades o movimento pode ser invertido. Será um movimento pró-visitação, pró-turismo. Tudo vai depender da agilidade das autoridades na desocupação. Mas se as coisas continuarem como estão pretendemos fazer com que os estrangeiros boicotem a vinda para Foz , afirmou.
Segundo os ambientalistas, o Parque Nacional do Iguaçu representa 28% da mata nativa do Estado do Paraná. O restante é representado pela Serra do Mar e pela Floresta de Irati.
Segundo o agricultor Afonso Kamer, um dos coordenadores do Movimento Amigos do Parque do Iguaçu, que lidera a invasão no parque, o movimento dos ambientalistas não passa de uma ação para evidenciar a entidade. Eles não fazem nada. Nunca tomaram nenhuma atitude com relação aos caçadores e os ladrões de palmito que agem no parque e agora querem se atravessar na nossa luta só para aparecer. Essas pessoas pensam que protegem o meio ambiente de longe, disse.
Cerca de 300 pessoas continuam acampadas no parque. Segundo a coordenação do movimento, passam em média 300 veículos por dia pela Estrada do Colono. O movimento cobra um pedágio irregular de R$ 5,00 por veículo. Só podem trafegar pela estrada carros de passeio e utilitários.





