Maigue Gueths
De Curitiba
A Conferência Internacional Ecocity 4, um dos maiores acontecimentos ambientais do mundo, terminou ontem, em Curitiba, com impressões otimistas para o futuro dos grandes centros urbanos. Depois de quatro dias de debates e apresentações de experiências teóricas e práticas que reafirmam a preservação ambiental como item fundamental à qualidade de vida nas cidades, os participantes saíram do evento convencidos de que as grandes metrópoles não estão ‘‘ecologicamente perdidas’’, pois ainda têm chances de adotar, com sucesso, princípios que caracterizam as chamadas ‘‘ecocidades’’.
As várias experiências dessas cidades ‘‘ideais’’ relatadas no evento foram, inclusive, motivo para a escolha da sede da Ecocity 5, que será na África do Sul, na cidade de Midrand, nas proximidades da capital Pretória, em data a ser definida. O local foi escolhido em função do projeto da ecocidade Midrand, que foi apresentado em Curitiba por um de seus idealizadores, Alan Dawson.
O evento vem sendo organizado pela Ecocity Builders, uma organização não-governamental (ONG) com sede em Berkeley, na Califórnia (EUA). As conferências anteriores foram realizadas em 90 em Berkeley, em Adelaide (Austrália) em 92, em 96 na cidade de Yoff/Dakar, no Senegal (África). Este ano, segundo Richard Register, da Ecocity Builders, Curitiba foi escolhida em função de seus programas na área ambiental, como o sistema público de transportes, reciclagem de lixo e preservação de áreas verdes.
‘‘O objetivo aqui foi conhecer aquilo que é considerado importante pelos teóricos das questões urbanas e aquilo que parece estar dando certo na prática’’, resumiu Clóvis Ultramari, da Universidade Livre do Meio Ambiente de Curitiba (Unilivre), um dos organizadores do encontro, ressaltando que, felizmente, teoria e prática têm caminhado juntas, confirmando seus bons resultados.
Barcelona (Espanha), São Paulo e Curitiba, com seu sistema de transporte, para Ultramari, são exemplos de que as características de ecocidade podem ser adotadas em grandes metrópoles. ‘‘Desapareceu, aqui, o entendimento das anticidades, a idéia de que cidades são espaços insustentáveis, que não podem produzir o que consomem e não conseguem eliminar o que rejeitam.’’

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