Boa parte dos estudantes que resolvem ser voluntários o faz não tanto por civilismo, mas por enxergar no serviço militar uma oportunidade. ''Me formei em 2004, fui fazer especialização, e agora vim me inscrever como voluntário. Para mim, é uma oportunidade profissional, principalmente para o mercado de trabalho na área de odontologia, que já está bastante saturado. Além disso, como a carga horária é de 20 horas semanais, ainda há a possibilidade de eu trabalhar em alguma clínica'', justificou Bruno Subitoni, 25 anos, acrescentando que a possibilidade de servir à pátria se torna um atrativo a mais. ''Acho importante a disciplina, o respeito e a hierarquia do Exército. Acredito que tudo isso pode contribuir para a minha formação pessoal.''
O estudante de Medicina João Augusto Brustolin, 24 anos, também se voluntariou por outros interesses. ''Quero ficar um tempo longe de hospitais. Além disso, o salário do Exército é o dobro do da residência. Acredito que vai ser uma experiência de vida legal. Conheço residentes que foram e gostaram'', comentou o jovem, que pretende servir em Castro.
Entre os estudantes de medicina, há ainda os que preferem se voluntariar porque, dessa forma, dizem conseguir informações sobre os melhores quartéis e podem escolher para onde desejam ir caso sejam convocados. ''Se você não se voluntaria e é chamado, eles te mandam pros piores lugares'', comentou um acadêmico, acrescentando que isso é de conhecimento geral entre seus colegas. A afirmação, porém, foi negada pelo coronel.
Já Flávio Massao Mizoguchi disse não desejar servir por ter outros planos. ''Quero fazer residência em otorrinolaringologia, e, se não passar agora, trabalhar um pouco. Além disso, já vou fazer 27 anos, naturalmente vou entrar no mercado de trabalho muito tarde. Se for para o Exército vai ficar mais complicado ainda'', argumentou. (A.I.)

mockup