Como o Cursinho da UEL é direcionado a estudantes que não têm condições de pagar um curso particular, é comum encontrar entre os alunos histórias de luta e esforço para entrar em uma universidade.
Uma que merece destaque é de Rosa Domingos, de 38 anos. Nascida em uma família humilde, com nove irmãos, Rosa é a única que conseguiu levar os estudos adiante. Ela frequentou o CEPV no ano passado e garantiu uma vaga no curso de Serviço Social. "Tenho um sonho de trabalhar com menores infratores dentro de um ambiente escolar", explica a vendedora autônoma, mãe de dois filhos.
A história de Rosa surpreende pela determinação em estudar. Para garantir o sustento da casa e dos dois filhos, pois é separada do marido, ela trabalha das 7 horas às 17h30 e ainda se dedica a trabalhos voluntários na Igreja. "Fomos realizar uma ação no Paraguai e descobri que uma menina que morava em um assentamento tinha acabado de passar em Medicina, em uma das melhores universidades, e isso me estimulou. Me informei sobre o cursinho e enxerguei uma oportunidade, pois não tinha condições de pagar um particular", comenta.
Ao tentar se matricular, Rosa descobriu que não havia mais vagas, mas que ela poderia ser aluna ouvinte, desde que assistisse as aulas do lado de fora, pela janela. "Eu não pensei duas vezes. Eu ficava sentada para fora da sala e ia anotando tudo que podia. Em pouco tempo, houve uma desistência e eu consegui entrar", lembra.
O orçamento apertado também foi um desafio para Rosa, que ao longo do ano contou com a ajuda de uma amiga de sala. "Às vezes, eu não tinha como comprar um lanche ou até mesmo uma apostila e ela me ajudou muito. Por tudo isso que passei, ter entrado na UEL foi uma das minhas maiores conquistas. Lá, eu realmente encontrei pessoas interessadas em ensinar e com um olhar muito humano. Fui acolhida de verdade e agora estou muito feliz. Estou na universidade", completa. (M.O.)

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