Curitiba - A estudante Michelle Sperança termina o curso de Pedagogia em junho. No primeiro período ela estudou a disciplina de educação inclusiva. Nas aulas, aprendeu a teoria. Porém a prática ficou de lado. ''Agora vai depender da vontade de cada um saber mais sobre isso'', explica. Quando os alunos estudaram esse assunto, muitos opinaram que não estariam preparados para dar aula para um aluno deficiente na sala de aula.
No curso Michelle também aprendeu a Libras, mas confessa que terá que praticar mais vezes, pois tem coisas que não lembra. Na hora de trabalhar, ela sabe que cada professor deverá ficar atento a respeito das necessidades de casa aluno. ''Eu não saberia, por exemplo, lidar com um aluno cego. Mas é dever do professor se dedicar e não deixar nenhum aluno de lado. Conversamos na sala se as escolas estão aptas a receber alunos deficientes e a conclusão foi que não estão.''
Letícia Chaurais está no terceiro ano de Educação Física. No primeiro período teve a disciplina de Educação Física Adaptada, mas acredita que foi repassado na sala apenas a introdução do assunto. ''Vimos as diferentes formas de acessibilidade e também entrevistamos atletas deficientes. Na ocasião eu falei para a professora que não foi suficiente. A gente (alunos) queria saber como os professores trabalham isso na sala.''
Mesmo com o deficit no curso ela acredita estar preparada para receber alunos deficientes. As outras matérias serviram de base e com pequenas adaptações poderá fazer a inclusão de pessoas com necessidades particulares. No vôlei, a adaptação pode ser feita com a rede mais para baixo e os alunos sentados na quadra. No início as bolas são maiores para facilitar o acesso e os movimentos.
Já no futebol a marcação da quadra pode ser feita com barbante e fita crepe, para os alunos cegos saberem os limites do espaço. No interior da bola existem guizos ou sacolas plásticas para fazer barulho e direcionar os jogadores. Os alunos sem deficiência podem jogar junto, vendando os olhos.
O outro lado
Thiago Aureliano da Silva é deficiente visual e vai concluir este ano o curso de graduação a distância de Marketing. Ele acha que os professores de uma maneira geral não estão preparados para receber alunos deficientes. ''Tem gente com boa vontade. No decorrer da minha carreira educacional vi pessoas despreparadas. Tive muita dificuldade'', alerta. Para ele, a evolução da linguagem em braile facilitou o acesso à educação.
Silva também acredita que falta postura do próprio aluno deficiente. ''Ele tem que dizer ao professor que deve ensiná-lo de determinado jeito senão não irá aprender. É necessário instigar essa vontade''.
Na instituição onde estuda, Silva sente que a inclusão é feita de maneira correta e eficiente. ''Quando recebemos o material didático, os meus colegas ganham os livros impressos. Eu recebo um CD. Com um programa especial que tenho no computador de casa, consigo acompanhar todo o conteúdo. É uma coisa simples que faz toda a diferença''. (D.C.)

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