'É um orgulho fazer esse trabalho'
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Apesar da internet, enviar cartas faz parte do hábito de muitas pessoas, principalmente, quando se está longe da família, dos amigos ou de alguém que se gosta. Hoje, esse tipo de correspondência é trocado, especialmente, entre pessoas que estão fora do Brasil ou mesmo pela camada mais baixa da população que ainda não tem acesso ao computador. Por isso, o carteiro, apesar de ter mudado muito de característica nos últimos anos, mantém o velho estilo de surpreender quando bate à porta. Amanhã é comemorado o Dia do Carteiro.
É o que conta a carteira Andressa Gregório Góis, 27 anos, que há oito se encarrega da entrega de correspondências em Londrina. Logo que começou na profissão, o trabalho era feito em bairros, onde havia um contato maior com as famílias. ''Você ficava mais amiga das pessoas porque todos os dias entregava a correspondência naquele bairro. Já fui convidada para entrar, tomar café, até almoçar. O envolvimento era outro.''
Há alguns anos, recorda, quando ainda trabalhava nos bairros, Andressa entregou uma correspondência vinda do Japão para uma mulher cuja família trabalhava naquele País. A mulher de 60 anos convidou a carteira para entrar e fez questão de compartilhar a emoção com ela. ''Era uma carta cheia de fotos do neto que ela ainda nem conhecia. Fiquei sentada em uma cadeira, vendo as fotos. Foi muito gratificante ver a emoção da senhora e compartilhar aquele momento importante.''
Hoje, Andressa trabalha no Centro, percorrendo prédios e distribuindo, principalmente, encomendas e contas. ''É bem diferente. Você não tem o contato com as pessoas. Deixa a correspondência em uma caixa e pronto.'' Apesar da mudança, a carteira considera o trabalho de extrema importância para todos. ''Cada correspondência é fundamental para a vida de cada pessoa e sabemos da nossa responsabilidade.''
A opinião é compartilhada pelo carteiro Carlos Henrique de Souza, 33 anos, e que se dedica à profissão ha 13. ''Muitas pessoas nos chamam de 'conteiro' por causa das contas que entregamos nas residências.'' Ele considera que o envio de cartas pessoais caiu cerca de 80%. ''A maior parte das entregas hoje é de faturas e material de propaganda, além de encomendas. As cartas são cada vez mais raras.''
Mesmo com as mudanças, o carteiro acredita no vínculo do profissional com as pessoas. ''O carteiro já tem uma imagem de que vai trazer uma notícia, principalmente para as classes mais baixas, que ainda não têm computador.''
O fardo da profissão não pesa para o carteiro, que todos os dias carrega uma grande quantidade de correspondência que são entregues a moradores e empresários do Centro. São cerca de 20 a 25 quilos de correspondências, distribuídos em pontos estratégicos, chamados de apoio, na cidade. ''Para mim é um orgulho fazer esse trabalho que é tão importante para as pessoas.''
Planejamento
Só em Londrina são 365 carteiros, que dedicam oito horas de trabalho para organizar e entregar cerca de 145 mil objetos. Segundo o gerente da área operacional dos Correios (Londrina e Maringá), Antônio Gonçalves Ribeiro, eles se encarregam, principalmente da entrega de Sedex, faturas, malotes e encomendas.
O trabalho é baseado em um planejamento feito em nível nacional para reduzir o cansaço dos profissionais e garantir a produtividade. O serviço é feito à pé, de moto ou mesmo de carrro, dependendo do tipo de correspondência. Todo o trabalho é avaliado constantemente pelas equipes de Planejamento e Padronização do Processo Produtivo (EPPP), que tem as regras definidas em Brasília. ''A avaliação é feita semestralmente para sempre melhorar o serviço de entrega e garantir qualidade do serviço do profissional.''


