Enquanto uns se sentem mais dispostos com a temperatura amena do outono, outros enfrentam nesta época do ano os incômodos decorrentes de doenças respiratórias, que só darão trégua no final do inverno. Os dias mais frios abriram oficialmente a temporada de tosses, corizas, dores de garganta e otites.
O médico pneumologista Guilherme Fazolo explica que a diferença entre a temperatura externa (que nos últimos dias tem ficado na média de 17 graus) e a temperatura interna do corpo (37 graus, em média) causa um impacto muito grande - o chamado choque térmico -, agredindo a mucosa das vias aéreas. Esta é a causa das muitas infecções que acompanham o friozinho da estação. Segundo o médico, pacientes com bronquite, asma e alergias devem, nesta época, redobrar os cuidados para prevenir as crises.
São medidas simples - como lavar os agasalhos e cobertores antes de começar a usá-los, manter a rotina de exercícios físicos, uma boa alimentação, a ventilação dos ambientes - mas capazes de diminuir, em muito, os riscos destes problemas. ''As roupas que ficam vários meses guardadas podem acumular mofo e ácaros, desencadeando alergias se não forem lavadas antes do uso'', alerta Fazolo. Ele recomenda que ao final do inverno os agasalhos, assim como os cobertores, também sejam lavados e guardados em sacos plásticos.
Aos motociclistas, que estão mais expostos à poluição gerada pela combustão do petróleo, o pneumologista recomenda a ingestão de bastante líquido para manter um bom nível de hidratação. ''O nariz funciona como um filtro. Quanto mais se aspira estas impurezas, mais elas se acumulam na mucosa nasal, daí a importância da limpeza constante'', ressalta o médico. Fazolo também recomenda que os motociclistas protejam bem os ouvidos com gorro para evitar as incômodas otites.
Crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade ou doenças crônicas, como diabetes, completam o grupo das pessoas mais vulneráveis. ''É preciso estar sempre atento aos sintomas respiratórios, e a tosse é o começo de todos eles. É uma defesa do organismo, um sinal importante de que algo não está bem.''
A pneumologista Ana Tereza Ramiro Muzio confirma: as mudanças climáticas deixam o organismo mais suscetível ao ataque dos vírus e bactérias, tornando comuns os casos de gripe, resfriado, bronquite e faringite. Para quem já tem problemas respiratórios, como asma, não dá para dispensar o acompanhamento médico. ''Existem medicamentos específicos para tratar e também para prevenir as crises'', lembra.
Tão comum como os problemas que se intensificam nesta época do ano é a auto-medicação. A médica alerta para o perigo desta prática. ''Alguns medicamentos, quando mal indicados, podem surtir efeito contrário ao desejado, agravando o problema ou causando efeitos colaterais indesejados, além do risco de mascarar um problema mais sério'', ressalta a médica.
Sintomas repentinos -
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Pronto Atendimento Infantil (PAI) o aumento de casos de problemas respiratórios é visível. A dona de casa Ruth Batista mal conseguiu dormir à noite tentanto controlar a febre do filho Pietro, de nove meses. ''Ele começou a apresentar tosse e coriza, três dias atrás. Esta noite começou a ter febre.'' Segundo a mãe, o garoto nunca havia sido vítima de sintomas tão fortes. Bastante irritado, ele tentava a todo custo se livrar da incômoda fumaça da inalação.
Rosilene dos Santos Sabiá também teve que sair do Patrimônio Regina (Zona Sul) para buscar atendimento para o filho Ruan, de 9 anos, com muita tosse e peito cheio. ''Começou de repente. De um dia para o outro começou esta tosse que não dá trégua. Fico preocupada porque ele já teve pneumonia três vezes. E agora, para piorar, tem o medo desta nova gripe'', explicou Rosilene, enquanto aguardava o filho ser medicado.

mockup