Maringá - Plantão policial em pleno sábado não é uma tarefa fácil. O período da noite, principalmente, é propício a todo tipo de confusão. Mas o delegado estava lá acostumado com a lida e esperando dois estelionatários que haviam sido presos pela PM tentando passar cheque de terceiros em supermercados da cidade. O negócio era só receber os presos, como se diz na gíria policial, e colocar o flagrante no papel. Mas nesse meio tempo, um policial esbaforido chega na sala do delegado:
- Doutor estão brigando na funerária porque a amásia quer velar o defunto em um lugar e a esposa em outro.
O delegado nem respondeu. Ficou quieto pensando. O policial por sua vez insistiu em uma solução:
- E agora doutor? Qual a orientação? A briga tá correndo solta por causa do defunto.
O delegado continuou refletindo. Afinal, a madrugada do sábado mal havia começado e ele já preferia uma briga em boate, entre bêbados, um furto...enfim...qualquer outra ocorrência normal de final de semana.
- E aí doutor? Insistiu o policial que mesmo ansioso pela resposta resolveu contar um pouco sobre a situação para dar luz aos pensamentos do delegado. Segundo o policial, a amásia queria velar o defunto em um bar desativado no bairro onde ela conviveu com o amado nos últimos três anos.
- Que mau gosto? Disparou o delegado.
O policial continuou a história. Disse que a família da esposa queria o velório em um local do próprio cemitério. Por causa do impasse, o dono da funerária havia informado às ‘‘famílias’’ que a decisão final seria tomada por um delegado e que por isso ligaria para a polícia. Para o dono da funerária, não importava o teor da decisão, mas sim que ela partisse de uma autoridade impedindo qualquer tipo de recurso ou mais discussões em torno do defunto. O delegado olhou para o policial e mais uma vez disparou:
- Fala para cortar o defunto no meio. Não esquece de avisar que é para cortar na vertical, bem certinho. Assim fica um lado para cada uma levar para o velório que bem desejar.
O policial começou a rir. Sabia que o doutor não falava sério. Meio sem jeito, achando que a resposta poderia ser levada como uma piada infame por toda a delegacia, o doutor emitiu então a decisão oficial:
- Diz que a escolha do local será feita pelos filhos. Assim não prevalece nem a vontade da esposa e nem da amásia. Recomendou o delegado torcendo para que o indivíduo não tivesse tido filhos com a querida amante.
Dali a pouco, o policial voltou contando que o dono da funerária comunicou que as famílias aceitaram a decisão e que o local seria o velório do cemitério.
- O defunto só teve uma filha com a esposa e ela quem decidiu sem resistência da outra parte. Informou o policial ao doutor.
Ponto para o delegado. E muito alívio também naquele agitado plantão de polícia.

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