É preferível o calor ao risco das janelas abertas
De acordo com o relato de diversos produtores rurais entrevistados pela FOLHA, o problema vai além dos roubos à mão armada, realizados principalmente nas maiores propriedades.
Furtos também são constantes e acontecem, em sua maioria, nas propriedades menores.
Um exemplo é o caso dos irmãos Norberto e Edson Maciel, que cuidam de quatro alqueires de terra, onde plantam pepino, tomate e alface. Na última semana, durante a noite, ladrões furtaram uma bomba de água que eles utilizam para irrigar a plantação.
''Nos sítios mais ricos, os ladrões são sofisticados. No nosso caso, que somos pobres, eles levam coisas menores, mas que fazem muita falta'', lamenta Norberto. Ele disse que chamou a polícia quando viu os ladrões na sua propriedade. ''A viatura veio rápido, mas os bandidos se escondem no meio do mato e ninguém acha'', conta.
A portuguesa Maria de Lourdes Vieira veio aos 20 anos para o Brasil com o marido, falecido em 1998, trazendo na bagagem o sonho de construir família na fértil terra vermelha do Norte do Paraná. Ela lembra com muita saudade do tempo - não muito distante - em que podia dormir de janelas abertas.
''Francamente, é muito ruim sentir esse medo de ladrão. Hoje em dia, quase morro de calor, mas tenho que dormir com a casa toda trancada'', reclama a portuguesa, ainda assustada com os tiros que seu neto teve que disparar para afugentar invasores na última semana.
''Com os tiros, os ladrões foram embora, mas eles podem voltar. Hoje minha filha foi a Londrina para fazer seguro dos bens que temos aqui'', relata.
Outro tipo de furto que está acontecendo na região é de tratores. Há 10 dias, de forma ousada, ladrões entraram em um sítio com uma caminhonete e arrastaram um trator para o meio de um milharal, durante a noite. Quando o dia amanheceu, agricultores localizaram a máquina que voltou para o seu proprietário.(W.S.)





