Há seis anos Adriano Gomes de Santana era empacotador de mercadorias em um supermercado em Bela Vista do Paraíso (Norte), onde morava com a família e estudava. Quem conheceu o jovem na época certamente não imaginava o caminho que sua vida tomaria.
Atualmente, para orgulho dos pais, Santana é aluno do curso de Mestrado em Matemática Aplicada Computacional. Ele conta que ''tomou gosto'' pela matéria ainda no Ensino Fundamental. Segundo ele, quando estava no 3º ano do Ensino Médio decidiu participar da Olimpíada Brasileira de Matemática para Escolas Públicas (Obmep).. ''Achei que não ia dar em nada, mas passei na primeira e na segunda fases'', lembrou.
O jovem conquistou uma vaga no projeto de Iniciação Científica, que faz parte da Obmep. Os encontros eram quinzenais e sempre aos sábados a tarde. Santana conseguiu participar graças à cooperação do chefe que o liberava dois sábados por mês. O projeto durou um ano, mas não foi preciso este tempo todo para ele saber o que queria da vida a partir daquela etapa. ''Decidi prestar vestibular para Matemática.''
Durante todo o curso ele esteve engajado em projetos de monitoria que rendiam uma espécie de bolsa e o ajudavam a dar continuidade nos estudos. A colação de grau, comemorada com entusiasmo pela família, foi realizada no dia 17 de fevereiro.
O jovem de 22 anos, que casou em janeiro deste ano, enfrentou então um novo dilema: ele precisava trabalhar para pagar as contas em casa, mas ao mesmo tempo queria fazer mestrado. ''Coloquei na minha cabeça que tentaria o mestrado mesmo sabendo que só poderia cursar se conseguisse uma bolsa de estudos'', disse. Santana alcançou uma boa colocação na prova e na entrevista que fazem parte do processo de seleção de alunos.
Agora, com a bolsa de estudos ele tem muitos planos pela frente. ''Quero terminar o mestrado, conseguir um cargo de professor em uma universidade e depois partir para o doutorado. Mas tenho o pé no chão, é hora de enfrentar as provas do mestrado e é preciso dar um passo de cada vez'', concluiu. (M.A.)

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