'É preciso criar a cultura da solidariedade'
Uma das grandes responsáveis pelas doações recebidas por Débora foi a ONG Associação Londrinense de Informática, através do projeto ''Sistema Ajuda''. ''Nosso foco principal é a inclusão digital, mas nós soubemos do problema da Débora, que era urgente, e a procuramos para ajudá-la'', conta Cláudio Teles Lupi, presidente da ONG. Além de divulgar o caso em vários meios de comunicação, Lupi também conseguiu boa parte das doações e ajudou na limpeza do terreno onde a casa foi incendiada.
Segundo o presidente da ONG, agora a entidade pretende ajudar uma outra família que também perdeu todos os seus bens em um incêndio. ''Esse caso é mais simples, é preciso cobrir a casa e conseguir roupas, calçados e móveis. Houve outros dois incêndios esta semana. Mas a gente precisava de mais recursos financeiro e pessoal para poder ajudar a todos'', lamenta, acrescentando que algumas doações são perdidas pelo simples fato de não haver uma kombi ou veículo semelhante para poder buscar.
Lupi explica que o Sistema Ajuda é uma ONG direcionada a fazer o bem. ''Tem gente para quem a gente não pode doar, porque se não eles não vão correr atrás. É preciso ensinar a se virar sozinho. Agora há pessoas, como a Débora, que se não receberem nada, é como se estivessem sem pernas'', explica, complementando que há ainda famílias que precisam apenas de orientação, outras cuja principal necessidade é informação e aprendizado, e há ainda quem precise apenas de uma oportunidade de trabalho. ''Temos muitas idéias para colocar em prática, mas precisamos de ajuda para poder ajudar. É preciso que se crie uma cultura da solidariedade, principalmente entre as pessoas mais ricas'', assinala.
Para Lupi, é natural que haja uma certa desconfiança em relação ao trabalho da ONG por se tratar de uma entidade com pouco mais de um ano. ''O que não pode é as pessoas fazerem dessa desconfiança uma barreira, seja em relação ao nosso trabalho ou a qualquer outro. Desconfie sim, mas procure saber se o trabalho é mesmo sério e não deixe de ajudar por causa disso. E fiscalize, sugira, critique'', recomenda.
''Tem tanta gente no mundo precisando de ajuda, e muita gente com vontade de ajudar e não sabe como. Falta divulgação. O ideal seria que essa ONG pudesse buscar as doações, guardar em um barracão e repassar para quem precisa'', sugere Débora. Para ela, as pessoas não precisam de ajuda apenas em casos extremos. ''Muita gente que me procurou quando eu não precisava mais, não quis dar para outras pessoas. Mas não é preciso ajudar só na tragédia''. (A.I.)





