Os números apresentados pelo Prograd demonstram pouca variação entre o número de alunos enviados e recebidos ao longo dos anos em que a UEL participa de programas de intercâmbio e de convênio com universidades estrangeiras.
Na opinião do professor Ricardo Ralisch, coordenador da Mobilidade de Agronomia da UEL, é preciso ampliar a quantidade de alunos que participam de programas. ''Quanto mais pessoas tiverem essa experiência de estudar fora, a própria universidade terá mais influência de outras realidades e formas de ver o mundo dentro das salas de aula'', justifica.
Sob esta ótica, o curso de Agronomia tem buscado uma interação em pesquisa e pós-graduação com as universidades da França desde 2003, por meio de um programa firmado com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação (MEC). No próximo mês, o curso receberá um aluno francês para graduação e outros dois embarcarão no mesmo período para a França e Portugal.
''Em função do apoio financeiro para os alunos, conseguimos manter um bom relacionamento com universidades estrangeiras, principalmente as francesas. Portanto, na Agronomia, muitos alunos ingressam no curso, já interessados em fazer um intercâmbio'', ressalta.
A parceria firmada não exige que os estudantes tenham fluência da língua, o que acaba sendo um ponto positivo para o professor. ''A fluência vai ser um dos benefícios aos alunos, mas exige que a instituição dê um bom suporte linguístico ao aluno. E o ritmo vai sendo adquirido gradativamente'', salienta.
Porém, os benefícios não se limitam somente ao estudante intercambista. O professor Ralisch defende que o aluno que retorna à sala de aula após estudar em outro país traz uma concepção de sociedade diferente da nossa. ''A sociedade está se tornando individualista e, dentro desse aspecto de 'cada um por si', é importante termos uma grande quantidade de alunos que conheçam outras realidades, pois quando esse estudante tiver, supostamente, condições de tomar alguma decisão profissionalmente, poderá optar por aquilo que envolva e beneficie o coletivo'', diz.
Para ele, as universidades não devem se encarregar somente à formação profissional, mas também à pessoal, principalmente as instituições públicas no Brasil que atuam com a elite intelectual. ''Temos a responsabilidade da formação técnica e profissional, só que isto também deve ser ampliado para a formação de um ser interessado no bem-estar da comunidade e que pense de forma coletiva. Para isso, é preciso conhecer muitas realidades.''
Ralisch também defende que a universidade não pode correr o risco de ficar ou atuar somente no ambiente local. É importante que ela tenha uma política forte de internacionalização. ''A tendência é que as universidades acabem se habituando ao espaço que ela ocupa, ou seja, local ou muito pouco regional. Isso é um empobrecimento grave, pois ela tem que internacionalizar, expandir os horizontes'', diz. (M.O.)

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