''Nas cidades pequenas, a grande presença de drogas faz com que a comunidade mude de perfil e que o indivíduo não queira se envolver no problema.'' O alerta é do psiquiatra e membro do conselho da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, do Rio Grande do Sul.
De acordo com Salgado, a presença do crime organizado muda completamente a dinâmica da sociedade. ''É perturbador, todos estão em risco, muitas comunidades devem estar perplexas por a droga ter chegado até eles e o susto emburrece'', analisa.
O psquiatra afirma que o grande surto da droga aconteceu há cinco anos. ''Mas há 12 anos atendo pacientes usuários de crack. Nos Estados Unidos essa droga foi moda nos anos 1980.''
Como nos grandes centros, para sustentar o vício o dependente começa a furtar, primeiro dentro da casa e depois onde estiver mais disponível. De acordo com Salgado, embora seja uma droga barata, para poder sustentar o vício o dependente de crack precisa de muito dinheiro.
''A ação curta da droga e também a tolerância que se desenvolve faz com que a necessidade seja cada vez maior para ter a mesma sensação de prazer. Com isso, ele pode consumir 10, 20 até 30 pedras em uma noite e isso se torna caro. Além da violência e dos furtos, a prostituição também passa a atingir essas comunidades.''
Para combater o problema, ele afirma que o Poder Público tem que reprimir o consumo e orientar a população. A colaboração dos pais também é fundamental. ''A criança que desde cedo é orientada, fiscalizada e monitorada pelos pais para não usar mesmo as drogas lícitas vai ter menores chances de problemas futuros.''
Manter a criança na escola, garantir bom desempenho, a prática de esportes coletivos e também a prática religiosa ajudam. ''Temos que ter 100% de crianças nas escolas, para isso os pais precisar estar envolvidos e também o município. Droga disponível vai ser usada. O Estado não pode se omitir'', afirma. (E.G)

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