E os atletas falam
de suas expectativas

César AugustoConvicçãoZeila com o marido e as filhas: ‘Quero trazer medalha de ouro’Haroldo Ideriha (S-7) - 37 anos, portador de uma doença congênita, vai nadar os 50 e 100 metros livre, além dos 100 metros peito. Há seis meses vem treinando forte - três vezes por semana - para fazer bonito em Curitiba. ‘‘Meu objetivo é terminar bem as provas’’, diz Haroldo. ‘‘Quero chegar entre os três primeiros colocados.’’

César AugustoFelicidadeAparecida Ruela recebe seu kit: ‘O esporte mudou a minha vida’Claudines Bartolomeu (S-3) - 27 anos, o mais experiente do grupo, tem no currículo um terceiro lugar nos 50 metros costas no Campeonato Brasileiro disputado no Recife em 1994 e duas participações em Campeonatos Municipais (93/94). Agora competindo também nos 100 metros costas, Claudines, que ficou tetraplégico depois de um acidente de moto em 91, reconhece a importância da hidroterapia e da natação terapêutica em sua reabilitação. ‘‘Hoje eu me sinto um privilegiado por estar fazendo o que gosto. Não posso me acomodar só porque estou numa cadeira de rodas’’, afirma ele. ‘‘Às vezes, o próprio deficiente físico tem preconceito com a sua condição. Ficam com pena de si mesmos, em vez de buscarem uma força interior para não ficarem em casa deitados numa cama.’’

César AugustoO treinadorJefferson Cardoso fala à equipe: programa de natação terapêuticaAparecida Ruela (S-2) - 47 anos, com poliomielite, é a atleta mais comprometida funcionalmente da equipe. Ela vai competir nos 50 metros livres e 50 costas. ‘‘Nadar é maravilhoso. Minha vida mudou depois que entrei na piscina. Estou surpresa por evoluir tanto no esporte’’, conta Aparecida. ‘‘Lembro que tudo começou com a hidroterapia, devagar, e agora já competindo. Isso serve de incentivo para melhorar ainda mais meu rendimento.’’
Zeila Francisco Batista (S-7) - 30 anos, teve meningite aos 11. Casada com José Carlos e mãe de duas filhas - Mariana e Juliana -, ela vai nadar os 50 e 100 metros livres. Com o apoio da família, Zeila diz que vai brigar pelo ouro. ‘‘É claro que eu estou feliz só de participar da competição, mas minha vontade é trazer a medalha de ouro’’, revela Zeila. ‘‘Adoro água, sempre gostei de nadar e queria muito que minhas filhas e meu marido estivessem lá torcendo por mim.’’


Dose duplaO ex-pedreiro Francisco Martins: competição em duas provas



Francisco Martins (S-6) - 46 anos, há quase três anos é portador de paraparesia espástica, provocada por uma doença rara chamada mielose folicular. ‘‘Fui parar numa cadeira de rodas. Fiquei nela oito meses e agora estou usando essas muletas (canadenses)’’, lembra o ex-pedreiro, que foi obrigado a se aposentar. Ele deve disputar pelo menos duas provas nos Jogos Regionais. O fisioterapeuta Jefferson Cardoso explica que Francisco ficou com os membros inferiores comprometidos: ‘‘A doença que ele teve é como um trauma neurológico.’’
Nilson José Nunes (S-6) - 24 anos, vítima de acidente motociclístico há cinco anos, ficou paraplégico por causa do socorro inadequado. ‘‘Eu até estava usando capacete, mas como ainda não existia o Siate, me pegaram de qualquer jeito’’, conta Nilson. ‘‘Aí minha coluna foi para o espaço.’’ Três meses depois de iniciar a fisioterapia no solo, Nilson foi para a piscina fazer hidroterapia. Hoje está funcionalmente melhor, treinando firme para surpreender nas raias curitibanas. ‘‘Vou nadar os 50 metros costas, 50 crown (livre) e 50 peito. Quem sabe não consigo uma medalhinha.’’
Geani Batista de Oliveira (S-9) - 23 anos, com uma sequela de poliomielite, é a atleta com menor comprometimento físico do grupo. Vai disputar os 50 e 100 metros costas.
Marlon dos Anjos (S-4) - 15 anos, caçula da equipe da Adefil, nasceu com mielo meningocele, uma doença congênita na coluna. O garoto - paraplégico - trocou a cadeira de rodas pelo skate. Como estava fazendo uma avaliação na Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD), em São Paulo, Marlon não pôde participar da entrega dos ‘kits’. Ele vai nadar os 50 metros livre, 50 e 100 costas.

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