E o superintendente culpa a crise do HU
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Da Redação 
O sistema de marcação de consultas, via pasteleiro, não é aprovado pelo Hospital Universitário de Londrina. O superintendente do HU, Cláudio Camacho Bianzin, diz que só tinha ouvido falar do esquema montado pelos pacientes para amenizar o tempo de espera na fila. Ele afirma que o procedimento está errado e diz que vai abrir uma sindicância para saber como funciona a lista do comerciante Manoel Fernandes Filho.
Cláudio Camacho Bianzin explica que a diretoria do HU está pensando em uma maneira de acabar com as longas filas de espera por uma consulta. É desumano as pessoas passarem a noite aqui para conseguir uma consulta. Uma idéia, segundo ele, é tentar um convênio com a Prefeitura, que passaria a fazer as marcações.
Camacho lembra que há duas mil pessoas esperando para fazer uma cirurgia seletiva no HU. A procura é muito maior do que a gente pode atender. O hospital atende pessoas de todo o Paraná e de mais de 15 Estados.
O superintendente afirma que o problema na marcação das consultas é uma das consequências da crise do hospital. Falta gente para atender toda a demanda de pacientes e a infra-estrutura do hospital é inadequada.
Os sintomas da crise do Hospital Universitário têm algumas causas muito evidentes. Uma delas é a evasão dos médicos professores. Outra é o baixo interesse pelos concursos públicos lançados para preenchimento das vagas. Tudo isso agrava os problemas do HU, explica o superintendente Cláudio Camacho.
Para reforçar o diagnóstico, ele cita números: afirma que, nos últimos cinco anos, 197 docentes pediram demissão - 63% do quadro atual. Hoje, dos 312 professores que trabalham no HU, 119 atuam em meio período. Em 1992, eram apenas 45 docentes médicos trabalhando meio período.
Poucos profissionais se interessaram em prestar os últimos concursos para professores, sejam médicos ou enfermeiros. Camacho lembra que não completaram as vagas ofertadas nos últimos concursos públicos para médicos das áreas de otorrinolaringologia, anestesiologia, moléstia infecciosa, radiologia, ultra-sonografia. Também faltaram enfermeiros interessados em atuar no centro cirúrgico, nos setores de pediatria, doenças transmissíveis, radiologia, urologia e ultra-sonografia.
(Adriana De Cunto)


