Londrina – O tradicional conto infantil da Chapeuzinho Vermelho ganhou uma adaptação inusitada na manhã de ontem. Agentes de Endemias da Secretaria de Saúde de Londrina usaram a criatividade em uma ação educativa com crianças do Centro de Educação Infantil Alaíde Fausto de Souza, na Vila Nova (área central), e conseguiram atingir o objetivo: atrair a atenção das crianças para o problema da dengue.
Os agentes aproveitaram a aula de leitura, na praça ao lado da Biblioteca Ramal Vila Nova, em frente ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Na história, Lobo Mau é um vilão diferente. Ele rouba a cesta de alimentos da Chapeuzinho e, depois de se fartar com as guloseimas, espalha as embalagens pela floresta: latas, plásticos, vidros. Com o passar dos dias, a chuva chega e com ela o castigo do lobo: a dengue.
A vovó de Chapeuzinho, uma médica aposentada, diagnostica a doença e ajuda o Lobo Mau. O sofrimento do lobo é representado por um cachorrinho de pelúcia ligado a um frasco de soro por esparadrapos. Atentos, os meninos e meninas pareciam perceber as consequências da falta de cuidado. Depois de se recuperar, o lobo aprende que não pode roubar comida nem sujar a mata. De vilão, passa a ser o defensor da floresta, final menos trágico que a morte da história original.
De acordo com a educadora em Saúde Lucimara Cândido Vasconcelos, a forma de abordagem com as crianças é mais lúdica. O tema morte é reservado aos adultos. O boneco do mosquito da dengue, feito de pano, é o mesmo usado sobre um caixão durante passeatas pela cidade. "O objetivo é o mesmo, só muda a abordagem, só que com os adultos, a estratégia é mais agressiva", explicou.
A historinha é acompanhada de encenação, maquetes e outros recursos para facilitar a compreensão.
Conforme o agente Mário Inácio da Silva ia encenando, jogando o lixo no chão, as crianças arregalavam os olhos, condenando a atitude. No final, elas juntaram os materiais em um saco verde. A chuva era reproduzida com um borrifador para cabelos. De olhos fechados, os pequenos se divertiam com as gotículas de água que caiam. "É uma atividade lúdica que reforça o que ensinamos na sala de aula", disse a professora Elizabeth Martins.
Silva explicou que sempre muda a estratégia para a atração não se desgastar. "O tema do combate a dengue se tornou maçante, embora muita gente não aplique o que aprende. Então procuramos sempre novas fórmulas para as atividades não ficarem entediantes." No ano passado, as dicas de prevenção eram passadas por teatro de fantoches. A programação segue em outras escolas municipais nas próximas semanas.

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