É na adolescência que
jovens entram nesta vida
Os garotos de programa geralmente resolvem aderir à prostituição masculina durante a adolescência. A conclusão é do psicanalista Victor Eduardo Silva Bento, doutor em psicopatologia e professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná. De acordo com ele, é na adolescência que o corpo começa a apresentar as primeiras formas e os meninos começam a adquirir uma identidade. ‘‘O indivíduo se vê numa posição adulta, mas não consegue se inserir no mercado de trabalho. Ele busca formas de conseguir sua independência dos pais’’, analisa.
Na maioria das vezes, de acordo com Bento, os meninos que buscam a prostituição são adolescentes que sofrem problemas familiares e usam drogas. ‘‘A prostituição masculina e a droga andam juntas, de forma paralela. O que o jovem busca é uma fonte de prazer fácil, a droga é esta fonte de prazer. Mas ele precisa de dinheiro para comprar a droga’’, diz ele.
Antes dos 18 anos, esta definição pela prostituição como fonte de renda pode ser considerada – segundo o psicanalista – como normal. Entre as causas que levam à prostituição está uma primeira infância mal resolvida (até os 5 anos). ‘‘Crianças superprotegidas ou abandonadas têm necessidade de buscar relacionamentos interpessoais’’, afirma. Entre os 5 e 10 anos, na chamada segunda infância, ela define suas relações com a escola. ‘‘A existência de uma família estruturada é fundamental para se evitar as distorções da primeira e segunda infâncias’’, diz Bento.
Na adolescência, entre os 10 e 18 anos, começam a aparecer as primeiras alterações hormonais e a produção de espermatozóides. ‘‘Nesta fase, os meninos pensam que podem fazer tudo o que o adulto faz’’, comenta.
Meninos que foram estuprados têm mais facilidade de se envolverem com a prostituição. ‘‘Repetimos, recordamos e elaboramos. A gente repete a mesma forma de amar que aprende’’, garante. Geralmente, este tipo de reação acontece com mais facilidade em classes baixas, onde os meninos são estuprados pelos próprios pais ou familiares. ‘‘Isto faz com que o menino busque, inconscientemente, novos estupros’’, afirma.
O problema social também é citado pelo psicanalista. De acordo com ele, os pais acham que a sexualidade é secundária e, muitas vezes, acabam incentivando os filhos a se prostituírem.
Bento acha que a prostituição é uma forma de suicídio. De acordo com ele, o ser humano se resume em duas fases: a vida (sexual) e a morte (que atua quando a primeira está frustrada). ‘‘Quando uma pessoa se frustra com a vida, ela entra em morte psíquica’’, argumenta. (L.P.)

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