Dias atrás a dona de casa Cristiane Lousada Ferreira de Oliveira, 30 anos, engordou as estatíticas dos moradores de Santa Catarina obrigados a deixar as casas por causa das chuvas. A água não invadiu a residência, mas a ameaça de desabamento do morro vizinho pesou na decisão de deixar o estado. O destino da londrinense foi o Jardim Monte Sião, na Zona Norte.
Morar no mesmo município, no entanto, não representou uma oportunidade mais concreta de ficar mais perto dos parentes, que vivem no Jardim João Turquino, na Zona Oeste. Como o sustento vem do material reciclável recolhido pelo marido João Batista, 30, que normalmente ganha cerca de R$ 150 por mês. Assim, fica praticamente impossível visitar a mãe e os três filhos, de 9 a 12 anos, que também vivem no João Turquino. O último encontro familiar também foi nas festas de final de ano.
Quando consegue um trocado para ir até a casa da mãe, Cristiane leva apenas os dois filhos mais novos que moram com ela - Eduardo, 4, e Vitória, 1, que não pagam passagem. Quem leva a pior é Gabriel Felipe, que aos 8 anos não pode mais ''viajar'' de graça. ''O preço do passe é uma vergonha. Pior ainda se aumentar para R$ 2,25. O que escuto todo mundo falar é que R$ 1,50 ou R$ 1,60 já estaria muito bom'', avalia a dona de casa.
A alternativa para manter contato com a mãe e os filhos é a ligação de orelhão para orelhão, ''quando posso comprar o cartão telefônico.'' E a vontade de visitá-los aumenta, por causa da falta de oportunidade. ''É muito difícil a gente ter R$ 4,00 sobrando.''(F.R.F.)

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