‘É melhor que ir para a cadeia’
Edvaldo Francisco Pereira, 34 anos, foi condenado a prestar serviços à comunidade durante um ano. Ele foi preso com drogas. Como esta é a terceira pena que cumpre, Pereira diz que é bem melhor destinar um dia da semana ao trabalho comunitário do que ficar trancado numa cela. ‘‘Ali é o fim do mundo. O serviço dá condições para a gente a trabalhar, ajudando a família. Na cadeia a gente só pensa besteira e só fala bobagens’’, comentou.
Pereira, que trabalha na colheita de café, reconhece que, ao ser identificado, os apenados passam a ter dificuldade em encontrar um emprego. ‘‘Melhor aqui do que na cela. A cadeia te marca demais na sociedade’’, disse.
O eletricista Pedro Luiz Ferreira, encarregado da prefeitura em acompanhar os apenados todos os finais de semana, disse que o trabalho não é difícil. ‘‘Há aqueles que aceitam tudo certinho. Quem é rebelde ou falta, anoto no relatório e passo para o juiz. Não obrigo ninguém a trabalhar. O juiz é que vai julgar o que fazer’’, informou. Os trabalhos dominicais começam às 7h30 e terminam às 17 horas, com o intervalo para o almoço.
A maior parte dos apenados evita se identificar. Eles temem que, ao serem reconhecidos, não consigam mais emprego. Condenado a prestar serviços durante oito meses, um dos apenados contou que faltam somente 15 domingos para se livrar da pena. O delito cometido: briga de rua. O apenado, que durante o dia trabalha como bóia-fria, disse não gostar muito do que está fazendo. ‘‘Mas é melhor que ficar na cadeia’’.
Outro rapaz, com pena de seis meses por dirigir sem carteira de habilitação, presta serviço há cinco domingos. ‘‘Trabalho durante a semana como servente de pedreiro, pegando pesado. Chega o final de semana tenho que fazer isso’’, comentou. Mas ele prefere se submeter a este tipo de trabalho a ser privado da liberdade. (A.S.)

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