Israel Reinstein
De Curitiba
É delicado o quadro clínico do menino ucraniano Olexander Opanafyuk, 7 anos, que veio para Curitiba no ano passado para se tratar de leucemia. Vítima do acidente nuclear de Chernobyl, Olexander chegou à cidade com mais quatro crianças para se tratar no Hospital Evangélico, mas não retornou ao seu país - como aconteceu com os amigos – por ter piorado. De acordo com o pediatra Maurício Marcondes Ribas, que acompanha o menino, houve uma ‘‘remissão da doença’’, obrigando o internamento. Há 40 dias hospitalizado, sendo que alguns deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o menino recebeu nos últimos dias um estímulo maior para melhorar: a vinda da Ucrânia de seu pai, Vasyl Opanafyuk.
Ribas explica que com o retorno da doença, todo o tratamento de combate ao câncer teve que ser retomado. Olexander, que antes recebia doses leves de quimioterapia endovenosa, agora recebe aplicações mais fortes para tentar matar as células atingidas pelo câncer. O médico explica que a intenção deste tratamento é deixar a medula limpa de células ruins. Porém, o efeito do medicamento causa forte contra-indicação.
A quimioterapia tem deixado o menino com a imunidade baixa (ou imunodepressivo). ‘‘Assim qualquer germe pode causar sérias infecções’’, explica o médico. Em função desse quadro clínico, o pediatra Maurício Ribas prefere não estabelecer um prognóstico de quando a criança poderá sair do hospital. ‘‘A baixa imunidade a põe em risco iminente’’, afirma, acrescentando que pode ocorrer perigo a vida.
Para Ribas, a vinda do pai do menino ajudou a melhorar o aspecto emocional da criança. Vasyl Opanafyuk tem ficado todo o dia no hospital, acompanhando Olexander em cada um dos procedimentos médicos.
Apesar da visão pouco otimista do pediatra, o presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira, José Welgacz, aposta na recuperação do menino. ‘‘Hoje (ontem) Olexander não tinha mais a febre que o incomodava no fim de semana’’, afirma.