É fogo! Bombeiros não têm descanso
Alexandre Sanches
De Londrina
Quinta-feira, 22 horas. O telefone 193 do Corpo de Bombeiros/Siat de Londrina toca. Uma informação sobre incêndio num canavial à beira da estrada na saída do distrito de Irerê para Paiquerê (zona sul de Londrina) movimenta uma equipe de quatro soldados num caminhão-pipa com capacidade para quatro mil litros dágua. Em poucos minutos, lá estão eles lutando contra o avanço do fogo, que começou em um mato seco à beira da estrada.
As causas do fogo não foram determinadas. Nesta época do ano, um simples cigarro aceso atirado pela janela de um veículo por algum viajante distraído pode provocar sérios prejuízos e até tragédias.
A noite de lua cheia ajudou a clarear um pouco mais a região. Em meio à fumaça, que não se dissipou por falta de vento e os soldados do Corpo de Bombeiros agradeceram por isso, porque teria ajudado o fogo a se alastrar ainda mais , água era jogada sobre as chamas. Em pouco mais de meia hora de trabalho o incêndio parece controlado. Mesmo assim, os bombeiros continuam a jogar água para evitar que novos focos se formem em seguida. Entre as inúmeras ferramentas encontradas no caminhão, vários abafadores de borracha.
A ação dos bombeiros é rápida. O motivo principal desta agilidade são duas casas próximas ao canavial que, caso o fogo se alastrasse rapidamente, estariam correndo sério risco de serem atingidas. Além disso, o mato seco em toda a zona rural facilita, caso pule uma fagulha, que o incêndio fique fora de controle.
Enquanto esta equipe retorna à sede do destacamento em Londrina, uma outra viatura sai correndo para a Avenida Tiradentes (zona oeste), onde o mato seco de um terreno baldio, próximo do Com-Tour Shopping Center, estava pegando fogo. O trabalho foi mais tranquilo e rápido. Os bombeiros enxarcaram a gramínea e apagaram o princípio de incêndio. Mas bastouos combatentes saírem do local e um foco reacendeu. A baixa baixa umidade do ar e a gramínea seca facilitam a ação do fogo.
Com a estiagem dos últimos meses, o trabalho do Corpo de Bombeiros não para. Há 60 dias não se registra chuva significativa, especialmente nas regiões norte e noroeste do Paraná. Segundo o comandante do 3º Grupamento dos Bombeiros com sede em Londrina, major Aloísio Costacurta Vieira, outra circustância agravante no caso das queimadas é a geada, que há aproximadamente 15 dias em todo o Estado secou a vegetação, favorecendo ainda mais a combustão.
Temos mais incêndios em pastagens e vegetação rasteira. A sorte é que não temos muitos reflorestamentos, que acabam pegando fogo nas copas das árvores, como ocorre nas regiões de Ponta Grossa e Curitiba, dificultando ainda mais os trabalhos, comenta.
Mesmo assim, os focos de fogo são muitos. Só no período de 15 a 22 de agosto, o 3º Grupamento, que abrange de Arapongas a Jacarezinho, registrou 85 ocorrências, sendo 40 incêndios em vegetação, sete em reflorestamento e 38 em pastagens e plantações.
Em Londrina, o grupamento mantém 50 homens/dia distribuídos nos cinco postos, sem contar o pessoal administrativo, que fica de prontidão para qualquer emergência. O major Costacurta faz um pedido aos agricultores: Quem trabalha em fazenda e sítio, se for fazer algum tipo de queimada, que informe os bombeiros antes de iniciar os trabalhos.
E aconselha: O melhor horário é após às 18 horas, quando a umidade do ar aumenta. Também devem fazer o isolamento da área para não perder controle do incêndio, orienta. Caso tenham dificuldades em realizar este tipo de trabalho, basta chamar os bombeiros que orientarão como proceder nas queimadas.





