O terno dele já está pronto. Ela ainda não decidiu qual vestido vai usar. Otaviano Batista da Rosa e Francisca Eugenia Costa andam na maior correria. Falta pouco para o casamento, marcado para o dia 24 deste mês, e ainda há muita coisa para organizar. A história seria corriqueira, não fosse pela idade dos noivos: ele tem 84 anos e ela, 81. ''Tem gente que acha que estamos ficando loucos, mas me deu vontade e pronto'', explica Francisca. ''É isso mesmo, eu não quero mais ficar sozinho'', completa Otaviano.
O namoro, que já tem um ano, começou no Forró, onde os dois se encontraram pela primeira vez. Aposentados como lavradores, Otaviano e Francisca também têm em comum o amor pela dança. Francisca é viúva há 20 anos e tem 4 filhos. Até agora, Otaviano não tinha tido muita sorte no amor. Casou-se uma vez, ficou viúvo, casou de novo mas foi abandonado pela mulher, que morreu há pouco tempo. Ficou sozinho com cinco filhos pequenos para criar. ''Foi difícil mas eu cuidei direitinho deles. Todos estudaram, casei todas as filhas. Apareceram muitas mulheres querendo me ajudar mas eu não quis ninguém'', conta. ''Ele estava me esperando'', brinca Francisca.
Risonha, Francisca confessa que o namoro é à moda antiga, mas que a paixão é a mesma dos tempos de adolescente. ''A gente estava dançando e ele me falou que queria arrumar um amor. Eu falei que achava aquilo bom, e então ele me disse que esse amor era eu. Não resisti''. Otaviano ainda teve que ''pedir a mão'' da noiva: ''Ela me levou numa festa e me apresentou para o filho mais novo dela. Ele percebeu que eu estava gostando da mãe dele e eu confirmei. Daí ele disse que se eu fizesse ela feliz, ele seria mais feliz ainda'', conta. Hoje, as duas famílias são unidas e os filhos de Francisca já chamam Otaviano de ''pai branco''.
Ao contrário do que acontece com a maioria dos casais, Otaviano e Francisca têm casa de sobra prá morar. Ele, no Jardim Santa Fé e ela, no Mister Thomas (os dois bairros ficam na Zona Leste). Na hora de decidir onde fixar residência, os dois optaram por uma solução bem 'moderna'. Vão viver um pouco em cada casa. ''Como a minha mudança não cabia na casa dela e nem as coisas dela na minha casa, decidimos morar uns dias lá e outros aqui'', explica Otaviano.
Problema mesmo, agora, é encontrar um bom sanfoneiro para tocar na festa de casamento. ''A gente já procurou por tudo e não achamos ninguém. Mas eu tenho fé que vai aparecer porque no nosso casamento não pode faltar um forró'', diz Francisca. Sentados lado a lado, eles fazem planos para o futuro. ''Eu tenho uma roça de mandioca e milho que agora o Otaviano vai cuidar. Do serviço da casa eu dou conta, mas sei que se precisar ele me ajuda'', pondera Francisca.
Os dois garantem que um não tem ciúmes do outro e que até hoje nunca brigaram. ''A essa altura, casar para brigar não adianta, né? A gente quer é ser feliz nesse restinho de vida que a gente tem prá viver''.

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