Na quarta-feira, um grupo de professores reuniu-se com a promotora da Vara de Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, para pedir providências. ''Levamos uma lista de 15 nomes dos alunos mais problemáticos para a promotora. Ela deve se reunir com cada um deles e seus pais. Só depois disso poderão retornar à escola. Dependendo da avaliação da promotora, podem ser até expulsos'', relata a professora Luci Villani. Segundo uma diretora, Édina também deve proferir palestras de orientação aos professores. A reportagem tentou entrar em contato com a promotora, mas foi informada de que ela estava em reunião.
''As ameaças são constantes, e muitas vezes o professor nem se envolve com medo de represálias. Tem professor que já não dorme direito, está pedindo remoção por causa da violência'', conta Luci, informando que as agressões vêm ocorrendo desde o ano passado. ''Uma professora grávida de alguns meses foi agredida fisicamente por um aluno do período da tarde, de apenas 12 anos'', revela. Em 2006, também foram registradas apreensões de drogas e até de uma arma de fogo no colégio.
Outra queixa dos professores é a falta de funcionários para o período noturno. ''Já faz tempo que estamos solicitando ao Núcleo Regional de Educação. Os professores deixam de fazer intervalo para ajudar a monitorar os alunos no pátio'', afirma.
Segundo a professora, a patrulha escolar costuma aparecer na escola nos horários de intervalo e saída de alunos, mas as visitas constantes não resolvem. ''Seria melhor se tivesse um policial o tempo todo aqui. Mas o ideal mesmo seria se a sociedade investisse mais no lado social, promovendo atividades esportivas ou de artesanato com os estudantes. Já temos um coral lindo, com dois CDs gravados, a escola tem até hino. Faltam mais iniciativas nesse sentido'', aponta, cobrando também uma maior participação dos pais e assistência psicológica para a instituição.
Os alunos problemáticos são do ensino fundamental, de 5 a 8 série, e já estudavam na escola anteriormente. ''É duro ir pra escola com medo de apanhar. Tem tráfico e já houve até troca de tiros na escola. Acho que tem que tirar esses alunos problemáticos, ou fechar o período noturno. Minha mãe quer me tirar do colégio, só está esperando para ver como é que vai ficar agora'', contou um aluno do período noturno que não quis se identificar.(A.I.)

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