Israel Reinstein
De Curitiba
A máxima de chegar em casa e descansar não se aplica para alguns moradores de Curitiba. Incomodados por barulhos, brigas ou engarrafamentos, eles estão em conflito com suas vizinhanças, que esquecem de respeitar o direito dos outros. São pessoas como o comerciante Juliano Simões, que enfrenta o som alto das rezas de uma igreja evangélica. Ou também da jornalista Suzana Blanco, que tem dificuldade para chegar em casa, por causa da mudança de endereço de uma universidade.
‘‘Respeito a individualidade, mas tem gente que abusa’’, reclama o jornalista José Fiori, secretário da Associação de Defesa do Direito ao Silêncio. A associação foi criada há três anos, extamente pelos excessos cometidos por bares da região do Largo da Ordem, no bairro São Francisco. Os moradores não aguentavam mais o volume alto e as brigas cometidas pelos frequentadores das casas noturnas. Hoje, informa Fiori, a associação conta com integrantes de diversos bairros, atingidos pelo barulhos e confusões.
Um levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, aponta que mensalmente 300 pessoas reclamam do excesso de ruído. Segundo a diretora do departamento de Pesquisa e Monitoramento da secretaria, Marilza Oliveira, a maioria das reclamações está nas regiões centrais, perto de pontos onde se concentram os bares da cidade.
Mas para quem vive ao lado de um ponto de ruído, as estatísticas não importam. O aposentado Irineo Jacob Deconto conta que tem acordado com barulho provocado pelos frequentadores do bar Espetinho de Gato, no Água Verde. ‘‘O som do bar não incomoda, mas os seus usuários passam apostando corrida e escutando som em volume alto’’, diz, pedindo policiamento no local.
Situação semelhante vive José Fiori, com relação ao bar Parada Obrigatória. ‘‘Apesar da reclamação, nada aconntece, porque falta estrutura da prefeitura e dos órgãos de fiscalização’’, diz. Mesma opinião tem o comerciante Juliano Simões. Há 20 meses, ele tem escutado em volume alto as orações da igreja da Assembléia de Deus. ‘‘A fiscalização não resolve nada e demora para solicionar o caso’’, diz.
Porém, a diretora da Secretaria de Meio Ambiente afirma que as reclamações são solucionadas. ‘‘A fiscalização visita os locais e mede a quantidade de ruído, notificando, multando e, até, embargando os estabelecimentos que extrapolam’’, afirma.

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