É como se fosse uma lei:
quem ataca policial morre
Enquanto os policiais falam da importância dos Direitos Humanos durante as entrevistas, em muitos casos essa preocupação some nos cantos das delegacias frequentadas pela reportagem policial, durante uma conversa informal. Investigadores e até mesmo alguns delegados muitas vezes acabam deixando escapar que a violência policial atinge sem nenhum perdão os marginais que porventura matam ou ferem algum policial.
Procurados pela reportagem da Folha, agentes que preferiram não se identificar alegaram que fica difícil se preocupar com direitos humanos quando tudo colabora para atrapalhar o trabalho da policiais. ‘‘A lei do flagrante é um obstáculo a nossas ações, pois depois de 24 horas o bandido fica intocável, informou um delegado que pede a revisão dos códigos Penal e Civil.
Um agente de outro distrito curitibano disse que para enfrentar de igual os marginais tem que pensar no péssimo armamento utilizado no trabalho diário, antes de refletir sobre os Direitos Humanos. ‘‘Para enfrentar os criminosos de igual para igual, tive que comprar minha própria arma de grosso calibre, minhas algemas, mas mesmo assim não escapamos das viaturas em péssimas condições que somos obrigados a utilizar.
Outro exemplo claro da mentalidade que ainda prevalece nas delegacias foi durante a apresentação de dois marginais na semana passada o delegado deixou escapar que depois de ferir dois policiais civis, dois rapazes só não foram executados porque a prisão aconteceu de dia em um local onde estavm muitas pessoas observando. ‘‘Eles deram muita sorte’’, disse sorrindo o delegado. ‘‘Sorte temos nós, quando não somos confundidos por marginais e evitamos cair nas mãos de alguns policiais que não valem nada’’, diz o delegado Adauto Abreu de Oliveira. Perguntado sobre como é o perfil do policial civil Adauto responde: ‘‘É o que está nos jornais.’’

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