Com a crise de energia batendo à porta e os brasileiros aguardando a hora e a vez do ‘‘apagão’’, nada mais oportuno do que falar sobre luminosidade. A falta de luz, que anuncia todo tipo de transtorno à população não é problema para alguns bichos, como os vaga-lumes. Em Londrina, apesar do crescimento considerável da cidade, ainda é possível vê-los em pontos próximos ao Lago Igapó.
Auto-suficientes em brilho, esses insetos, também conhecidos como pirilampos, são pouco vistos na zona urbana. A luz artificial das cidades afastou-os, mas não conseguiu tirar-lhes o brilho e o mistério. Cada vez mais difícil de serem localizados, os vaga-lumes estão piscando em lugares distantes, longe dos postes, dos luminosos e do alcance da curiosidade das crianças. Se, em outros tempos, quando as cidades eram menores e menos brilhantes, os pirilampos eram comuns, tornaram-se seres raros para as crianças da atualidade. Em um passado recente, as crianças caçavam a luz desses insetos e os capturavam em caixas de fósforos. Ao espiá-los pelo vão da caixa, qual não era o espanto ante a luz involuntária dos vaga-lumes. Por coincidência, uma marca de fósforos se chamava Fiat Lux (em latim, faça-se a luz). Mais surpresas ainda as crianças ficavam ao esfregar o inseto na roupa e sair com a luz fosforescente na escuridão, lembrando fantasmas atrapalhados.
Insetos da ordem dos coleópteros, os pirilampos apresentam órgãos fosforescentes localizados na parte inferior do tórax ou no ‘‘traseiro’’. Segundo a professora do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dileimar Machado Nalin Galegos, o brilho do vaga-lume vem da enzima luciferase, que catalisa a oxidação da substância química chamada de luciferina. Essa substância não é exclusiva dos pirilampos. Peixes que vivem nas regiões abissais dos oceanos, crustáceos marinhos, bactérias e alguns tipos de fungos também produzem luminescência.
A fêmea do pirilampo, ensina a professora, bota ovo, que vira larva e se desenvolve sob o solo. Nessa fase, a larva alimenta-se de raízes de plantas e madeira em decomposição. A transformação da larva em pupa acontece também no solo, onde o futuro vaga-lume fica em estado de letargia. Já adulto, ele emerge da terra, voa para alumiar, principalmente na região centro-oeste do País, onde existe cerrado. Fora daí, eles proliferam em pastagens e podem até virar praga, quando o homem entra na história e desequilibra a natureza. Sapos e aves noturnas são predadores naturais dos vaga-lumes.
Ao falar do passado, um poeta disse que pertence a um tempo onde todas as geladeiras eram brancas, os telefones eram pretos, os comunistas eram maus e existia limbo. Esqueceu-se, o poeta, de dizer que houve um tempo em que os flashes eram disparados apenas por pirilampos. A luz, nessa época, vinha do sol, ou ficava oculta em caixas de fósforos.

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