É bom quando dá errado
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Alan MaschioReportagem Local 
Utilizando roldanas, cordas, engrenagens e motores elétricos, adolescentes da Guarda Mirim de Londrina estão apreendendo a aplicar conhecimentos de física, química e matemática no dia-a-dia. Para isso, a direção da entidade promoveu ontem, durante todo o dia, uma feira de ciências que envolveu todo o corpo docente e os 320 alunos da Guarda. Em meio às dificuldades para desenvolver os projetos, nasce o objetivo da feira que, segundo os professores, é estimular a curiosidade e a auto-estima, a memória para o conhecimento e o empreendedorismo das crianças.
O evento acontece pela terceira vez no ano e, segundo a coordenadora da feira, Josiane Regina Ribeiro, é bancado com recursos cedidos pela Sercomtel, que estabeleceu, no início do ano, uma parceria com a Guarda Mirim para ajudar a custear o funcionamento da instituição. ''Usamos parte dos R$ 300 mil reais anuais para comprar motores elétricos, fontes de energia e ferramentas para os alunos'', explicou a professora.
Com todo o equipamento em mãos há cerca de um mês, os alunos começaram a desenvolver os projetos em grupo. O que pôde ser visto ontem na exposição que atraiu também visitantes de escolas particulares reflete parte do imaginário das crianças nesta época do ano. Miniaturas de rodas-gigantes motorizadas, enfeites de Natal automatizados e presépios animados estão entre as invenções mostradas com mais orgulho pelos alunos.
No caso da roda-gigante, uma roda de bicicleta, uma corrente e um motor de limpador de pára-brisas são suficientes para transformar o que seria dispensado por oficinas no sonho de uma pequena criança em um parque de diversões. No entanto, Flávio Crespin, 16 anos, Jeimison Alessandro, Luiz Paulo Ribeiro, Flávio Barroso e Maicon Fernandes, todos com 15 anos, estavam tendo dificuldades para conseguir fazer a roda girar o tempo todo, já que a corrente que fazia a transmissão não estava esticada. ''Ainda não descobrimos como fazer isso, mas estamos tentando'', disse Maicon. Uma sugestão de um visitante, porém, foi prontamente atendida pelos pesquisadores. ''Podemos aumentar o buraco onde o encaixamos o eixo. Aí vai dar pra regular a altura da roda'', exclamou Luiz Paulo.
Da mesma forma, outro grupo de alunos, que criou um presépio onde os personagens se movimentam por meio de esteiras, foi surpreendido por visitantes quando investigava o porque do equipamento não funcionar como o previsto. ''A esteira está enroscando na saída, mas vamos mexer nisso agora'', avisou Willian Costa e Silva, de 13 anos. As dificuldades enfrentadas pelos alunos, por sinal, foram citadas por Josiane como o mais positivo da feira. ''Pedagogicamente, é muito bom que as invenções dêem errado às vezes. Isso os estimula a discutir o problema e procurar soluções'', explicou.
Segundo a diretora da Guarda Mirim, Luiza Cavazzotti e Silva, a feira ajudou a atrair a atenção dos alunos de volta às aulas, diminuindo a evasão escolar. ''Eles vêm de bairros desfavorecidos e a auto-estima baixa os prejudica muito. A maioria absoluta deles corria riscos de perder o ano. Mexendo com ferramentas e motores, a curiosidade deles é despertada. Só precisam agora vencer a timidez e dar continuidade a esta curiosidade'', afirmou.


