E a rotina continua na Ponte da Amizade
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Alexandre Palmar Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Inaugurada há 37 anos, a Ponte Internacional da Amizade viu sua primeira grande reforma ser concluída esta semana sem alarde. A solenidade foi suspensa porque o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) está em processo de extinção e o governo federal não definiu quem receberá as tarefas do órgão.
A cerimônia serveria para marcar a nova aparência da principal ligação do Brasil ao Paraguai, em Foz do Iguaçu, afinal a pintura e troca de juntas e dilatação deram mais segurança e mudaram o aspecto da estrutura de 30 mil metros de superfície (pista, pilares, passarelas, arco e vigas).
A ausência da solenidade pode ter soado estranha num país acostumado a estardalhaços até em inaugurações de pontos de ônibus, ainda mais em ano eleitoral. Porém impediu que políticos ganhassem votos com o suor dos operários, entre eles dois trabalhadores que morreram durante a obra.
Para quem está habituado às filas, entretanto, pouca coisa mudou. As 15 mil pessoas acostumadas à travessia diária continuam na árdua tarefa de respirar o ar contaminado pelos escapamentos de 19 mil veículos que cruzam a pista de segunda-feira a sábado (aos domingos é possível passear sobre a pista).
A maioria deles reconhece a Ponte da Amizade como símbolo da união de dois países e como parte do cotidiano de trabalho. De forma simples, ele entendem que a reforma reestruturou um palco de protestos contra desemprego, prática comum registrada nos últimos anos, inclusive por quem deseja reivindicar reajuste salarial. -
O novo visual também permite que fotógrafos renovem as imagens dos cartões postais e flagrem práticas ilícitas. O contrabando e tráfico são problemas complexos. Eles não se resumen àqueles que arriscam a vida ao nadar para apanhar caixas de cigarros jogadas pelos colegas no Rio Paraná. Apesar dos 1,4 mil galões de tinta, a rotina continua sob os olhares dos homens da lei em cima da ponte.


