Curitiba - A busca por respostas sobre o porto atravessou os quatro quilômetros de mar que separam Pontal do Sul (balneário de Pontal do Paraná) da Ilha do Mel. Moradores de lá também querem entender quais os reflexos da exploração do porto na ilha: conseqüências que não estariam previstas no Relatório de Impacto Ambiental (Rima) apresentado pelo empreendedor.
Na semana que vem, dias 20 e 21, a Associação de Moradores da Ilha do Mel, em parceria com o núcleo de mobilização formado em Pontal do Paraná, que envolve universitários, professores e líderes comunitários, realiza um seminário em que espera reunir de 200 a 300 pessoas para expor os pontos positivos e negativos listados no Rima, bem como colocar a população a par dos eventuais impactos que não são contemplados no estudo.
"Não temos nenhum posicionamento contrário à implantação do porto, desde que tenha o devido esclarecimento", ponderou o secretário da Associação de Moradores da Ilha do Mel, João Lino de Oliveira. Para ele, o fato de o Rima ter desconsiderado a ilha - Área de Preservação Permanente (APP) - foi uma falha grave.
É sabido que a Ponta do Poço - onde se pretende instalar o porto - tem profundidade suficiente para receber embarcações de grande calado. "Mas, para chegar à Ponta do Poço, os navios terão que passar por outros canais, que terão que ser aprofundados", prevê Oliveira. Ele admite que o raciocínio é de um leigo, mas leva em conta o histórico de inteferências na Ilha do Mel, provocadas pelas sucessivas dragagens no Porto de Paranaguá, que fica ainda mais distante.
Oliveira relata, como exemplo, a alteração na paisagem da Praia do Mar de Fora, em Encantadas, uma das faces da Ilha do Mel, pelo acúmulo de areia. Ali, havia cinco ou seis praias, intercaladas por divisões naturais (formações rochosas), que abrigavam espécies marinhas, hoje, extintas do local. Agora, há uma única e extensa praia de aproximadamente seis quilômetros.
Preocupação semelhante tem o empresário Sebastião Borio Martins, dono de uma marina em Pontal do Sul. Tião, como é conhecido na cidade, disse que o estudo apresentado pelo empreendedor não esclarece, satisfatoriamente, os reflexos sobre o comportamento do mar. "Não se sabe o impacto da dragagem e sua influência na mudança das marés", reforçou ele, que está há mais de 40 anos na região.
Tião tem dúvidas sobre os benefícios econômicos e a oportunidade de geração de emprego que o porto traria para a cidade. O Rima, lembrou, descreve a geração de 1,5 mil empregos diretos até 2013, mas ele acredita que quase toda a mão-de-obra viria de fora. E, já na fase de operação, o número de vagas seria muito limitado, pois o projeto é de um porto automatizado. "Não temos pessoas capacitadas. A geração de empregos só se daria nos serviços básicos", ponderou. Como empresário do ramo de turismo e lazer, Tião defende investimentos nessa área. "Daria muitos mais empregos para a população local", argumentou.(A.L.)

mockup