Dúvidas sobre sexo persistem
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Anna Camanducaia 
Marcelo AlmeidaRosely: Natalidade diminuiu, mas não na faixa de 14 a 19 anosOs adolescentes recebem informações sobre sexualidade diariamente, pela televisão e por publicações, mas não têm responsabilidade na vida sexual. Segundo a psicóloga Rosely Sayão, de 47 anos, que fez palestra ontem para adolescentes e pais, no Colégio Positivo, eles não usam camisinha e não têm consciência sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Eles se iniciam na vida sexual muito cedo - aos 15 anos em média -, mas a responsabilidade chega tarde, diz.
O resultado é aumento de jovens grávidas, abortos e doenças. Em 20 anos, o índice de natalidade no Brasil diminuiu, com exceção da faixa etária de 14 a 19 anos, diz Rosely. A Aids também não é encarada como um risco real. Os adolescentes que dizem não ter usado camisinha estão preocupados com a possibilidade de gravidez. Nem pensam em doença, diz a psicóloga.
Pais e filhos continuam não conversando sobre sexualidade. Os pais não encaram o sexo como sexo e esquecem que já foram adolescentes, diz Rosely. Segundo ela, é preciso encontrar espaço para refletir sobre o tema. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que prevê o ensino da educação sexual nas escolas, pode ser uma ajuda, desde que haja parceria com os pais e profissionais preparados para dar as aulas.
Apesar de terem relações sexuais mais cedo, as dúvidas e dificuldades dos adolescentes são as mesmas de outras gerações. Os meninos querem saber sobre masturbação e tamanho do pênis. As meninas, sobre virgindade e gravidez. Pais ainda iniciam os filhos na vida sexual com garotas de programa.


