O Instituto de Criminalística (IC) de Londrina e o Ministério Público estão pedindo explicações ao Instituto Médico Legal (IML) sobre o laudo de necrópsia do empresário Júlio César Marino, assassinado em dezembro do ano passado, na garagem da casa (área central). O problema é que o trabalho, assinado pelo médico-legista Fernando Milani de Moura, deixa dúvidas principalmente sobre a trajetória dos projéteis que atingiram a vítima, dificultando a conclusão da reconstituição do crime.
Tanto o delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial, Jorge Barbosa, responsável pelo inquérito que apura o crime, quanto o promotor Janderson Iassaka, da 1ª Vara Criminal, não descartam a possibilidade de pedirem a exumação do corpo de Marino caso as dúvidas não sejam esclarecidas.
O chefe do IC de Londrina, Darci Dória de Faria, explicou que as dúvidas surgiram na semana passada. Na ocasião, um perito do IC confrontou os dados encontrados no local do crime, coletados pela própria Criminalística, com o laudo do IML, para montagem da reconstituição em computação gráfica.
Além da trajetória, Darci Dória diz que é necessário definir com maior precisão, nos ferimentos encontrados no corpo da vítima, o que é ‘‘entrada’’ e o que é ‘‘saída’’ de projéteis. ‘‘Se você não tiver a trajetória correta do projétil, não tem um ponto de partida para fazer a reconstituição’’, afirma. ‘‘O laudo é técnico, mas não estamos entendendo a maneira como foi escrito. Por isso é preciso explicação.’’
O chefe do IC aponta ainda que é preciso esclarecer se Marino foi atingido por quatro disparos, como diz o laudo de necrópsia, ou por cinco, como sugerem as fotos feitas no cadáver. Se forem cinco disparos, será possível concluir que o assassino utilizou duas armas, já que os disparos contra Marino, o caseiro Nelson Silva (atingido na perna) e a caminhonete, somam mais de seis tiros - a capacidade máxima de um revólver calibre 38. Como não havia cápsulas no local do crime, a conclusão é de que a arma não foi recarregada. ‘‘Mas por enquanto não há indício que mais de uma pessoa tenha praticado o crime’’, destaca Faria.
O chefe do IML de Londrina, Antônio Carlos Queiroz, afirmou que somente o perito responsável pelo laudo, que está em férias, poderia esclarecer as dúvidas. ‘‘O IC faz o levantamento do local; e o perito do IML só vê a lesão do cadáver. Quando os dois trabalhos são juntados, podem mesmo surgir dúvidas’’, observa Queiroz. ‘‘Mas as dúvidas são meramente técnicas.’’

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