DURA ROTINA - Trabalho também exige 'raça'
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sábado, 16 de abril de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
A beleza dos animais e a diversão garantida durante a 45 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina só são possíveis graças ao esforço de muitos trabalhadores. Esses 'operários da exposição', na maioria dos casos, têm uma rotina árdua marcada pela agenda cheia de eventos durante o ano. Depois de 10 dias de festa em Londrina, a próxima parada já está marcada para eles. A festa em Londrina acabará hoje, mas quem ainda não visitou a 45 Exposição tem a chance de aproveitar as atrações do último dia de evento (confira a programação nesta página).
Natural de Campinas (SP), o tratador Joaquim Marco Vaz, 47 anos, passa os dias cuidando de nove bovinos da raça nelore. ''Conheço mais os bois do que a minha família'', brinca. Vaz é responsável por tudo: dar ração, lavar e escovar o pêlo, retirar o estrume, além de assegurar a tranquilidade dos nove ''filhos''.
Vaz está instalado literalmente perto dos animais. Enquanto os bois ficaram alojados em um galpão com cama de serragem e cocho de cimento, o tratador fez um ''puxadinho'' com uma lona para proteger a ração dos animais e armou uma barraca pequena de acampamento no mesmo espaço. Ele conta que só sai de perto dos animais 'rapidinho' para tomar banho e se alimentar.
Para este ano Vaz contabiliza que dez exposições estão na sua agenda. ''Fico viajando quase o ano todo. Só volto depois que acabarem as festas'', afirma. Mesmo dizendo que está meio mal instalado, Vaz não reclama e argumenta que o salário de quase mil reais vale toda a dedicação já que defende o sustento de mulher e de três filhos.
Todavia, nem só de animais que comem ração vive uma exposição. Próximo ao parque infantil vários bichos de pelúcia despertam o desejo da criançada. Para conseguir um deles é só acertar a argola na caixa de fósforos numerada, explica o atendente da barraca, Eduardo Gonçalves, 49 anos. Mineiro, ele trabalha em exposições há 25 anos. '' Conheço todo o país só andando em exposições'', diz. Segundo ele, uma equipe de quinze pessoas se reveza nas barracas de brinquedos. Em um único dia, são distribuídas em média 200 bolas plásticas para quem participa dos desafios, calcula.
Já o vendedor de cachorro quente, Gustavo Ferreira, 22 anos, veio de Balneário Camboriú (SC) com mais dez amigos para fazer negócios na exposição. Ferreira revela que esta é a primeira exposição de que participa. ''Vim para ver como é que era. Acho que dá muito trabalho e não é vantajoso'', afirma. Depois dessa experiência, ele diz que irá avaliar precisamente os lucros da festa e analisar se irá para outras exposições.


