Não é só a onda de desemprego que está tirando o sono do londrinense atualmente. Também os interessados em uma Carteira de Trabalho e Previdência Social têm tido que acordar cedo, enfrentar fila e uma longa espera, que pode demorar até 90 dias. É que a Subdelegacia do Ministério do Trabalho - na esquina das avenidas Rio Branco com Leste-Oeste, no jardim Shangri-lá A (zona oeste) - só está admitindo 30 novos requerimentos por dia; e as senhas para atendimento são distribuídas a partir das seis e meia da madrugada.
Em consequência deste número reduzido, muitas pessoas são obrigadas a ir várias vezes à Subdelegacia. Na madrugada de ontem, a fila começou a se formar às 3 horas. O primeiro a chegar foi o ajudante de marcenaria Amauri Luis Theodoro, 24 anos, casado. Ele mora na Vila Casoni (área central) e teve que acordar às 2h30, para garantir o melhor lugar na fila e a esperança de conseguir a Carteira de Trabalho que lhe possibilite o primeiro emprego registrado.
O atendimento aos portadores de senha - para quem está requerendo 2ª via o número é ilimitado - começa às 8 horas e é rápido, demorando menos de cinco minutos por pessoa. Amauri Theodoro, mesmo assim, saiu frustrado e revoltado. ‘‘Depois de horas na fila, de enfrentar o frio da madrugada, não consegui nem fazer o requerimento. Perdi meus outros documentos e eles não aceitam o protocolo da identidade’’, reclama Theodoro. ‘‘O problema é que minha nova identidade só vai sair daqui uns dois meses. E corro o risco de perder o emprego que acabei de encontrar depois de meses de procura.’’
A estudante Aline Lessa, 14 anos, chegou à fila por volta das 5 horas. Ela mora no conjunto habitacional Armindo Guazi (zona oeste) e precisa da carteira porque está com emprego quase acertado em uma lanchonete. ‘‘É uma falta de respeito esta entrega de senha ser de madrugada. E depois, o atendimento é pequeno, só para 30 pessoas e até o meio-dia. Acho que deveriam expedir mais carteiras e atender durante o dia todo.’’
Depois da checagem rigorosa nos documentos, o interessado recebe o protocolo e a orientação de um dos quatro funcionários do setor. Ele deve começar a procurar pela primeira Carteira de Trabalho - através do telefone 327-2788 ou pessoalmente - somente após um mês da data do requerimento. Mas não deve ter muita esperança, porque as carteiras não têm chegado a Londrina com menos de 60 dias e, em alguns casos, a espera pode demorar até três meses, segundo funcionários da Subdelegacia. Para as carteiras de 2ª via não há espera; elas são emitidas no momento do requerimento. As duas são gratuitas.
Boa parte dos presentes na fila da madrugada é composta por menores. São na maioria estudantes, integrantes de famílias humildes em busca da primeira carteira e à procura de um primeiro emprego. É o caso de Sidnei Pedro de Souza, 15 anos, residente em Cambé. Ele acordou às 5 horas e foi à Subdelegacia do Ministério do Trabalho acompanhado pela mãe, Marcionilha dos Santos Souza. ‘‘Tudo bem, sei que o mais difícil vai ser arrumar um emprego depois.’’
A estudante Cindy Ribeiro Lopes, 20 anos, não se conforma de ter que enfrentar a fila tão cedo. Moradora do Shangri-lá A, ela acordou às 4h20 para, às 5 horas, conseguir um lugar no início da fila. ‘‘No mínimo, deveriam aumentar o número de senhas distribuídas e estender o atendimento também para a parte da tarde. Do jeito que está, é um desrespeito aos trabalhadores.’’ Ontem, várias pessoas foram embora sem serem atendidas.

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