Duplo homicídio choca Londrina
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O assassinato de duas jovens no Jardim Columbia, Zona Oeste de Londrina, era um mistério para policiais e familiares até a tarde de ontem. Andréa Jesus de Cabral, 21 anos, estudante do primeiro ano do curso de Serviço Social na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Rúbia Graziele da Silva, 19, foram mortas por volta das 23h30 de anteontem.
O crime aconteceu em uma estrada de terra localizada ao lado da universidade e só foi descoberto três horas depois, quando um taxista avistou os corpos das vítimas. Andréa foi encontrada junto à sua motocicleta, uma Honda Bis placas AHX-9143, segurando a chave do veículo. Ela e Rúbia foram vítimas de disparos de arma de fogo na nuca, o que pode caracterizar execução. A outra jovem ainda levou mais dois tiros, no peito e na perna, provavelmente ao tentar fugir. Aparentemente, nada foi roubado das garotas.
Com base em relatos de pessoas ligadas a Andréa, o delegado do Setor de Homicídios da 10 Subdivisão Policial (SDP), Joaquim Antônio de Melo, afirmou que as duas vítimas eram bastante amigas. ''Pelo que nos informaram, existe a possibilidade de que elas tivessem um relacionamento'', disse, hipótese ressaltada pelo fato de que Rúbia usava vestimentas masculinas, inclusive cuecas. Ela só foi identificada no final da manhã de ontem, no Instituto Médico-Legal (IML).
O pai de Andréa, o taxista Adão Cabral, garantiu que não conhecia a moça encontrada junto à filha. Desesperado, ele disse não ter idéia dos motivos que alguém teria para matar a estudante. ''Ela era uma filha maravilhosa, honesta, nunca se meteu com drogas, isso eu posso garantir. Veio de escola pública e conseguiu uma vaga na faculdade, era o nosso grande orgulho. Quero saber por que executaram minha filha dessa forma, com um tiro na nuca'', declarou.
A universitária morava com a mãe no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte) e estudava à noite. Na quinta-feira, de acordo com a família, ela teria comparecido às aulas normalmente. Segundo a madrasta de Andréa, até pouco tempo ela trabalhava em uma gráfica e ultimamente fazia um ''bico'' na campanha de um candidato a vereador.
O delegado contou que um irmão de Andréa está preso há mais de 100 dias por furto de telefones celulares, mas descartou qualquer relação desse fato com o homicídio. Ontem, a polícia também tentava confirmar a informação de que Rúbia teria sido liberada do 3º Distrito Policial (DP) há poucos dias. Além disso, o delegado solicitou à UEL as fitas gravadas no circuito interno de vídeo da instituição, para descobrir se Andréa e Rúbia deixaram o local juntas.
Esse crime eleva para 124 o número de homicídios em Londrina, desde o início de 2004, o que equivale a 64,24% dos homicídios registrados na cidade no ano passado, 193. Em 2002, foram 161 assassinatos.


