O governador Jaime Lerner (PFL) acompanhou ontem em Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana) o início das obras de duplicação do trecho Apucarana-Ponta Grossa da Rodovia do Café (BR-376). A melhoria vai atingir os 255 quilômetros da ligação, mas por enquanto existe apenas o projeto executivo dos 3,5 quilômetros que começaram a ser executados pela Rodonorte, concessionária responsável pelo lote 5 do Anel de Integração.
A informação foi dada ontem pelo próprio presidente da concessionária, Geraldo Villin Prado. Ele explicou que a empresa encaminhará o projeto da obra por etapas. Segundo Prado, o trecho que vai do trevo da PR-445 a Ortigueira é o mais crítico da BR-376, por causa da Serra do Cadeado. ‘‘Nossa meta é concluir a duplicação deste trecho em 2 anos’’, anunciou Prado. Ele informou também que o projeto executivo da obra será liberado em etapas, após o cadastro de desapropriações, estudo geológico e licença ambiental.
Odair StraliottExecuçãoConcessionária responsável pelo trecho já iniciou obras da segunda etapa do Anel de IntegraçãoO presidente da Rodonorte negou que o início da obra tenha sido acelerado por questões políticas. ‘‘A vinda do governador é fato político, porém, de nossa parte, estamos meramente cumprindo obrigações e prazos contratuais’’, comentou Prado.
‘‘Neste trecho inicial as obras são bastante simples, porque o terreno não é acidentado como nos trechos seguintes, onde a rodovia corta a Serra do Cadeado’’, explicou o presidente da Rodonorte. Na duplicação do trecho Apucarana-Ponta Grossa serão investidos R$ 346 milhões e o prazo de conclusão é de 6 anos. Porém, Prado assegurou que a Rodonorte pretende concluir a obra em 3,5 anos.
Início Acompanhado do secretário dos Transportes, Heinz Herwig, o governador Jaime Lerner chegou de helicóptero, às 12h30, e desembarcou ao lado da rodovia, próximo ao posto da Polícia Rodoviária. Lerner percorreu o canteiro de obras, deu entrevistas e, usando um capacete de operário, marcou oficialmente o início da duplicação da Rodovia do Café, ao acionar o motor de uma máquina rodoviária.
Durante a entrevista, o governador negou que o início da duplicação do trecho tenha relação com o período pré-eleitoral. Ele disse que seria uma obra eleitoreira se a execução tivesse sido adiada. O governador afirmou que, da mesma forma, teria adiado o início da cobrança do pedágio se estivesse preocupado com as eleições.
Quanto aos protestos e reclamações em relação aos valores cobrados nas praças de pedágio, Lerner disse que os paranaenses já pagavam uma espécie de ‘‘pedágio oculto’’, resultado do maior consumo de combustível, desgaste de pneus e encarecimento do custo de manutenção mecânica de automóveis e caminhões.
‘‘Além disso tudo, o péssimo estado de conservação destas rodovias resultava na perda de muitas vidas. Era como se caísse um Boeing lotado de passageiros todo o mês no Paranᒒ, argumentou o governador.
Acidentes Os reparos e pequenas melhorias feitos nos últimos meses pela Rodonorte, entre Mauá da Serra-Ortigueira, não reduziram o número de acidentes e vítimas no trecho. Segundo o comandante do pelotão da Polícia Rodoviária em Mauá da Serra, sargento José Saul Rezes Cavalheiro, de janeiro a maio de 1997 foram registrados 192 acidentes no trecho, com 165 pessoas feridas e 19 mortes. No mesmo período deste ano, já com algumas melhorias implantadas, foram registrados 181 acidentes com 99 feridos e 14 mortes.
Segundo o sargento, a pequena redução no número de pessoas feridas e vítimas fatais é atribuída principalmente à obrigatoriedade do uso do cinto de segurança.

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