Objetos de decoração e poeira combinam? Não. Por isso que a promoter Lucia Galli se incomoda com o atraso das obras de duplicação da Rua Goiás (Região Central de Londrina). ''A gente tem que redobrar o cuidado, porque senão dá a impressão de que não se faz limpeza aqui.'' Ela trabalha em um ateliêr que fica na esquina da Goiás com a Rua Jonathas Serrano, onde na última semana foi colocado um tambor com um galho dentro, para sinalizar a irregularidade da via. ''O que a gente ouve de carro derrapando! Dá uma aflição.''
A dona-de-casa Ana Tereza Vespero, moradora há mais de 35 anos na região, também diz não aguentar mais os transtornos da obra inacabada. ''Essa idéia de duplicação existe há muitos anos na prefeitura, mas se resolveram fazer, por que não começaram e terminaram?'' Ela destacou que a Rua Goiás já é movimentada e, com as obras, o trânsito está tudo mais complicado. ''Tem acidentes, tem o estresse dos motoristas, é difícil para quem mora aqui perto. Falta semáforo no cruzamento.''
De acordo com o secretário de Obras de Londrina, Aloysio Crescentini de Freitas, as obras estão paralisadas pois falta a liberação de dois lotes que a prefeitura aguarda a permissão de posse. ''Eram 18 lotes, sendo que quatro eram da própria prefeitura. Agora restam estes dois e nós precisamos estar com toda a documentação em ordem para dar continuidade à obra.''
Ele explicou que o trecho que vai da Rua Nevada à Rua dos Escoteiros já está desapropriado, mas que as obras estão paradas por falta de verba. ''Como a obra é financiada pelo Ministério das Cidades, com contrapartida da prefeitura, precisamos deste dinheiro, pois o valor que era de responsabilidade do município já foi investido.'' No total, a obra de duplicação da Rua Goiás está licitada em quase R$ 594 mil, sendo R$ 391.633,59 do Ministério e R$ 202.259,17 da prefeitura.
O secretário esclareceu que a verba federal é repassada pela Caixa Econômica Federal e que a liberação só é feita com toda a documentação dos lotes regularizada. ''Como temos alguns lotes pendentes, eles não liberam o dinheiro, por isso as obras pararam, porque não teria como pagar a empreiteira.'' A perspectiva, segundo afirma, é que na próxima semana as obras sejam retomadas.
Sabendo desta informação pela reportagem, Ana Tereza ainda questionou por que as obras não começaram depois de todo o planejamento ter sido feito e as casas desapropriadas. ''Se eu for reformar minha casa, não vou quebrar parede sem saber o que vai acontecer depois. Esta é uma obra que poderia ser feita rapidamente se tivesse sido tudo planejado.'' O secretário reconheceu que houve falha de planejamento. ''Como estávamos trabalhando em outras áreas e que tinha dado certo, imaginamos que seria igual na Goiás, mas não foi.''

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