Duplas vendadas exploram o Calçadão
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sexta-feira, 05 de novembro de 2010
Mariana Guerin<BR>Reportagem Local 
Vinte e um professores de Jacarezinho (Norte Pioneiro), Cornélio Procópio, Londrina e Apucarana (Norte) vivenciaram uma experiência desconcertante mas bastante educativa no Calçadão londrinense, na manhã de ontem: com vendas nos olhos e bengalas nas mãos, eles sentiram na pele as dificuldades que os deficientes visuais têm ao circular pelas ruas das cidades.
A prática completou um curso de Orientação e Mobilidade oferecido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE), com o intuito de treinar professores para o uso de bengala e guias-videntes e como repassar essas informações aos alunos que frequentam centros de atendimento a deficientes visuais. No curso, os participantes se dividiram em duplas e um permaneceu vendado enquanto outro atuou como guia.
Conforme a professora de Orientação e Mobilidade do Centro de Atendimento ao Deficiente Visual de Ibiporã (Norte), Maria José Ferreira Gregui, as duplas exploraram todo tipo de piso e edificações, além de treinar os sentidos auditivo e olfativo na travessia das ruas.
''Nada melhor do que passar pela situação de falta de visão e vivenciar as dificuldades, principalmente em locais públicos, para poder ensinar melhor'', opinou Maria José, citando as calçadas danificadas como as maiores inimigas do cego. ''Mas neste novo piso do Calçadão é mais fácil deslizar a bengala e além disso há o piso tátil, que facilita a movimentação.''
Para o estudante de Educação Física da UEL Renan de Conti, 24 anos, um dos participantes da atividade, aprender a lidar com o universo do deficiente é muito importante, até mesmo para quem não trabalha diretamente com esse público.
''Teoria e prática se completam, mas na prática você fica bem perdido. Minha primeira sensação ao caminhar vendado sozinho foi de angústia. Não sabia que era tão difícil'', comentou Renan, que decidiu fazer o curso por indicação de um professor da faculdade.
No passeio pelo Calçadão, ele conseguiu notar as diferenças dos pisos só pelo tato com os pés e a bengala e achou que o novo piso auxilia muito a locomoção dos cegos. ''Também dá para sentir como driblar os buracos é complicado'', completou o estudante, que considerou o papel de guia-vidente mais fácil. ''Tem que estar preparado para descrever os lugares para a pessoa, que depende exclusivamente de você. É uma grande responsabilidade.''


