Dupla vitória paterna
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No fim de 2009 o engenheiro mecânico Adolfo Celso Guidi estava desesperado. Depois de oito anos de discussão na Justiça, ele estava prestes a perder o único imóvel da família por falta de pagamento. Mas numa reviravolta surpreendente ele foi chamado ao fórum pela juíza Anne Karina Costa e recebeu a notícia: o imóvel havia sido quitado com recursos das penas pecuniárias, valores pagos em dinheiro para a Justiça por condenados pela Vara Criminal. A mudança no curso da história só aconteceu porque Anne se comoveu com a luta de Guidi para salvar o filho, Vitor.
Há 11 anos o engenheiro se dedica quase que integralmente ao filho, hoje com 22 anos, que tem gangliosidose GN1 tipo 2, doença que prejudica a produção de uma enzima que é responsável pela digestão da lactose. A dedição, no entanto, custou todas as economias da família e a vida profissional do pai.
Logo após o diagnóstico da doença, Guidi perdeu o emprego numa concessionária de Curitiba. Ocupado com a doença do filho passou a viver de bicos e dos trabalhos que faz em uma pequena oficina mecânica que montou na garagem de casa. Deixou de pagar o imóvel da família e acumulou uma dívida impagável. O débito foi parar na Justiça. Guidi ganhou a revisão dos juros aplicados sobre o financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), mas não tinha dinheiro para quitar o valor recalculado.
Foi quando o caso parou nas mãos da juíza Anne, da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba. Na primeira audiência de conciliação ela ouviu a história de Guidi e Vitor. Chegou a conclusão de que aquela história não poderia terminar com o despejo. ''Era um único imóvel da família e também parte importante do trabalho do pai'', avalia.
Foi quando Anne decidiu enviar a 1 Vara Criminal de Curitiba um projeto para que as verbas das penas pecuniárias fossem aplicadas na quitação do imóvel. ''Normalmente esses recursos são destinados a entidades sociais'', explica. Mas para que a iniciativa da juíza desse certo, o Ministério Público e a própria Caixa Econômica decidiram se unir no esforço para resolver o caso. Enquanto o MP deu a chancela para a proposta, a Caixa reduziu o valor da dívida de R$ 119 mil para R$ 48 mil. O resultado: o imóvel foi quitado.


