Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Um professor universitário e um designer gráfico estão percorrendo, de canoa, 2.927 quilômetros da Hidrovia Tietê-Paraná, a principal via fluvial do Mercosul. Hoje, a dupla se despede do território brasileiro, em Foz do Iguaçu, e segue o trecho do Rio Paraná que divide Paraguai e Argentina.
A expedição começou no dia 5 de junho, no Rio Atibaia, um pequeno rio que corta Campinas, cidade paulista onde moram Carlos Vageler, de 32 anos, e Alessandro Casella, de 26. O destino final é Buenos Aires, onde a dupla pretende chegar em meados de setembro, depois de aproximadamente três meses e meio de viagem.
O objetivo da expedição, batizada de Projeto Remar Até o Mar, é colher informações e fotos para embasar projetos ambientais e de desenvolvimento do ecoturismo e da navegação ao longo da hidrovia - que começa a ser apontada como um dos principais eixos de crescimento no Mercosul. Segundo Vageler, a dupla deverá proferir palestras e planeja elaborar um livro didático com o relato completo da viagem para estimular a consciência ecológica de estudantes e leitores.
‘‘Percebemos que a movimentação de cargas na hidrovia e a exploração turística dos rios e represas ao longo do percurso ainda são muito pequenas’’, constata Vageler, professor de Desportos Não-Formais da Fundação Municipal de Ensino Superior (Fesb), de Bragança Paulista (SP), e de Esportes Náuticos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). ‘‘Nosso trabalho poderá orientar novos investimentos nessas áreas.’’
Outra observação da dupla é a poluição registrada ao longo da viagem, principalmente no trecho paulista. ‘‘Em algumas represas, vimos tantas garrafas plásticas nas árvores que elas pareciam enfeitadas para o Natal’’, compara o designer Casella. ‘‘As autoridades e os cidadãos tratam o meio ambiente com muita irresponsabilidade’’, completa o designer gráfico.
O percurso dos canoístas engloba cinco rios: Atibaia, Piracicaba e Tietê (no Estado de São Paulo); Paraná (que divide os Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, além de Paraguai e Argentina); e Rio da Prata (entre Argentina e Uruguai). É um roteiro salpicado por sete represas de hidrelétricas, de médio e grande porte: Salto Grande, Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Porto Primavera, Jupiá, Itaipu e Ayolas.
Metade do percurso é em território brasileiro. A outra metade na fronteira entre Paraguai e Argentina e em território argentino. A parte brasileira foi concluída ontem, em Foz do Iguaçu, depois de 1.370 quilômetros. Desse total, 1.100 quilômetros foram percorridos sobre as águas paradas de represas. Hoje cedo, a dupla adentra o território argentino.
O custo da expedição é de aproximadamente R$ 15 mil, a maior parte bancada por oito patrocinadores. O projeto surgiu há um ano e meio. É a primeira viagem de longa duração em canoa feita pela dupla, que é particante de esportes radicais.Expedição que tem objetivos didáticos e ecológicos começou em Campinas e será concluída em Buenos Aires
Ney de SouzaAVENTURACarlos Vageler e Alessandro Casella (à frente) reiniciam hoje a expedição adentrando o território argentino; a previsão é que cheguem a Buenos Aires em setembro; eles pretendem escrever um livro didático sobre a viagem

mockup