Kraw PenasMensagemJosé Caliman e seu parceiro de viagem, Ricardo Mendonça, mostram a carta dos alunos mineiros que será entregue a MaradonaPassou ontem por Curitiba um carteiro de Minas Gerais que vai viajar quase cinco mil quilômetros de bicicleta para levar uma carta ao jogador argentino Diego Maradona. José Caliman da Silva, de 37 anos, saiu de Resplendor, no Vale do Rio Doce, no dia 13 de fevereiro, e espera chegar a Buenos Aires no dia 20 de março.
A carta foi escrita a mão por crianças de uma escola comunitária de Resplendor, que elogiam Maradona e pedem camisas e fotos ao craque argentino.
Na verdade, não foi a carta que motivou a viagem, mas o contrário. Caliman - um amante do ciclismo que já pedalou mais de 20 mil quilômetros em viagens pelo Brasil - conta que há sete anos planejava ir de bicicleta até a Argentina. Quando resolveu concretizar o sonho, surgiu a idéia da carta.
Ela é assinada por dez crianças que se dizem fãs de Maradona: ‘‘Somos crianças e queremos vencer na vida. Por isso nos espelhamos em sua garra e vontade de ser o melhor’’. No final, pedidos de camisas autografadas do Boca Juniors e da seleção argentina.
Caliman não sabe se conseguirá encontrar Maradona para entregar a carta. ‘‘Espero contar com a imprensa argentina para chegar até ele’’, afirma. Mas esse não é o maior desafio do ciclista. O que ele quer, acima de tudo, é superar seus limites a cada viagem.
Em 12 anos de aventuras sobre duas rodas, Caliman já foi até Brasília, Bahia e Espírito Santo, entre outros lugares. Desde a primeira viagem ele usa a mesma bicicleta olímpica de competição.
Além de ser a primeira viagem internacional, esta é a primeira que Caliman faz acompanhado. O companheiro é Ricardo Mendonça de Aquino, que completará 22 anos no dia em que os dois pretendem chegar a Buenos Aires.
A dupla pedala uma média de 150 quilômetros e 12 horas por dia, levando uma bagagem reduzida, que inclui algumas mudas de roupa, medicamentos para primeiros socorros e pneus sobressalentes. Segundo Caliman, a maior dificuldade é enfrentar os carros e caminhões nas estradas. ‘‘Já vi a morte de perto várias vezes’’, conta. Outro problema é obter patrocínio. Para a viagem à Argentina, ele tem o apoio dos Correios, da cooperativa agropecuária Capel e da prefeitura de Resplendor.
Casado e pai de dois filhos, de 12 e 15 anos, o carteiro-ciclista se prepara sozinho para as viagens. Nos dois meses que antecedem a partida, corre dez quilômetros e pedala outros 60 por dia. Quando chegar à Argentina, ele prevê que terá emagrecido sete quilos. A volta será de avião, com a passagem paga por um empresário mineiro.

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