A Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon (90 quilômetros a oeste de Cascavel) ainda não tem pistas que possam identificar quem ateou fogo no corpo do agricultor Ademir José Tavares, 25 anos, na madrugada de domingo. O rapaz foi queimado com gasolina e está em estado grave no Hospital Evangélico de Curitiba. Ademir, e possivelmente os autores do crime, haviam participado da Oktoberfest, tradicional evento anual da comunidade - a maioria descendente de alemães.
O crime ocorreu por volta de 5 horas. Depois de ser levado a um hospital local, Ademir Tavares foi transferido de ambulância até Curitiba, para o Hospital Evangélico, dotado de melhores recursos. Seu estado continua grave, pois segundo os médicos, as queimaduras de terceiro grau atingiram mais de 90% de seu corpo. Ademir reside em Missal, a 100 quilômetros de Marechal Cândido Rondon, e é filho de Marino Tavares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. As comunidades das duas cidades estão chocadas. Nunca houve crime semelhante na região.
Alguns moradores das imediações do local do crime relataram terem ouvido gritos da vítima e duas pessoas se afastarem de motocicleta em alta velocidade. O delegado de Polícia Civil Antonio Brandão disse ontem à tarde que já havia ouvido quatro pessoas, e a próxima seria o frentista de um posto onde foi comprada a gasolina (dois litros, em um galão). Brandão foi cauteloso e preferiu não dar detalhes dos depoimentos, dizendo apenas que não havia possibilitado avançar nas investigações.
Há versões contraditórias sobre o caso. Uma é que a própria vítima havia comprado a gasolina, a pedido das pessoas que estavam na moto. Por esta versão, Ademir poderia conhecer os que atearam fogo em seu corpo. Sabe-se que ele havia viajado sozinho, de ônibus, para a Marechal Cândido Rondon. Depois da festa no Parque de Exposições, foi para o centro da cidade, distante cerca de 2 quilômetros, onde foi queimado.
Marino e a esposa Celestia Tavares (pais de outros sete filhos) viajaram na tarde de ontem para Curitiba. O prefeito de Marechal Cândido Rondon, Aríston Limberger (PMDB), lamentou o ‘‘absurdo episódio, que não condiz com a índole de pacifismo’’ da população local. Antes da abertura da Oktoberfest, o prefeito havia observado que a festa deveria ser motivo para ressaltar a cultura dos descendentes de alemães (mais de 80% da população local), sobrepondo-se ao aspecto de consumo de bebidas e comidas típicas.

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