Dupla presa por aplicar golpes no PR
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Dois comerciantes acusados de estelionato e falsidade ideológica foram presos ontem por policiais civis da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas. Eles são acusados de aplicar diversos golpes em Curitiba e Região Metropolitana utilizando documentos falsos. Com eles foram apreendidos talões de água e luz em branco, carimbos da Junta Comercial, adesivos para abertura de empresas, carteiras de identidade, contra-cheques, cartões de crédito e talões de cheque. A polícia chegou até os supostos golpistas através de denúncias de vítimas.
O delegado Marcus Michelotto, responsável pelas investigações, disse que os comerciantes viviam num condomínio fechado de alto padrão no bairro Uberaba. No local, eles pagavam um aluguel de R$ 7 mil. ''Eles gastavam muito e conseguiam movimentar somas grandes em dinheiro'', disse. Foram presos o catarinense Paulo Roberto Cabral, 27 anos, e o gaúcho Alexandre Flores, 22 anos. Ainda está foragido, mas com a prisão decretada, o paranaense Rodrigo Rockembarck, 30 anos. Eles chefiariam a quadrilha.
Os demais integrantes do grupo, segundo Michelotto, estão sendo ouvidos e serão indiciados em inquérito. ''A quadrilha agia de formas diferenciadas. Normalmente abriam empresas que não movimentavam dinheiro e conseguiam abrir contas correntes em vários bancos. Apresentavam nomes falsos ou de laranjas como sócios. Compravam produtos caros e revendiam rapidamente'', explicou.
Uma das empresas usadas pelo grupo foi a Stelle Representações Comerciais, que trabalharia desde 2003 com materiais de limpeza, alimentos e bebidas. Existe a probabilidade de que a quadrilha estivesse atuando há mais de um ano. Nos talões de cheques apreeendidos, no entanto, aparecem contas abertas em maio de 2005, em Santa Catarina. Também foram apreendidos na casa deles dois veículos importados. Dentro da casa, eletroeletrônicos, telas, computadores, móveis e geladeiras num valor superior a R$ 500 mil. ''Eles faziam a chamada arara. A vida deles era milionária'', disse Michelotto. Os vizinhos nunca perceberam a movimentação. ''Isso demonstra a especialização da quadrilha, que ludibriou as vítimas e dificultou a ação da polícia''.
Os documentos falsos usados pelo grupo eram geridos por um programa de computação. ''Os documentos eram paralelos aos órgãos públicos. Eles estavam bem próximos da realidade'', salientou Michelotto. A FOLHA verificou que o grupo abriu contas em instituições bancárias públicas e privadas de Brusque, Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau e Itajaí (em SC), além de Paranaguá e Curitiba. Também foram apreendidos talões de cheque adulterados em branco. Cabral e Flores negaram envolvimento com os crimes. Negaram também que os carros encontrados na casa fossem deles, mas não quiseram dar mais informações à reportagem.


