Dupla jornada e salários menores
Aos 48 anos, Maria Aparecida dos Santos Mozzaquatro concilia a faculdade de Pedagogia com os cuidados da casa, do marido e do filho de seis anos. Formada em Magistério, ela trabalhou por 15 anos em sala de aula. Com a gravidez, abandonou as aulas, mas há quatro anos resolveu retomar os estudos para lutar por uma educação melhor para o País.
Segundo ela, a rotina diária é ''complicada'', já que ela precisa levar o filho na escola antes de partir para a faculdade, onde estuda toda manhã. ''Tenho uma ajudante, mas sou eu quem organiza a casa e prepara o jantar. Meu marido e meu filho requerem bastante atenção, por isso procuro não envolver a faculdade nos assuntos de casa'', relata Maria.
Ela pretende emendar a faculdade, que termina este ano, em uma especialização em Psicopedagogia já no ano que vem. ''Estou bem cansada, mas em nível de mercado de trabalho, sem pós não consigo atuar com eficácia'', constata a mãe-esposa-estudante, que quando está de folga da escola, gosta de ler, ir ao cinema, fazer ginástica e caminhar.
Apesar de ainda serem minoria, as mulheres avançam também na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. O coordenador e professor do Curso de Especialização em Administração para Graduados (Ceag)), José Ernesto Lima Gonçalves, comemora essa evolução. Em 20 anos, o porcentual feminino saltou dos 25%, de um universo de cerca de 2 mil alunos, para quase 40%.
''Como o mercado de trabalho continua abrindo oportunidades para as mulheres, elas investem mais na educação para subir na carreira'', observa Gonçalves. ''Esse é um grande diferencial, até porque ainda existem barreiras, como o salário, já que ganham menos do que os homens e necessitam sempre mostrar seu valor.'' (M.G.)





