Lúcio Horta
De Londrina
O Ministério Público de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) denunciou na última quinta-feira Jeferson da Silva Sanches, 21 anos, e Mauro Gomes da Silva Filho, 22, pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver. Eles são acusados pela morte do funcionário público Edison de Arruda Américo, de Londrina, ocorrida em maio deste ano. Se condenados, poderão pegar até 30 anos de prisão cada um.
A promotora Ângela Maria Mailan Zamariam, responsável pelo caso, também pediu à Justiça a prisão preventiva dos dois acusados. Segundo ela, pelos elementos que constam no inquérito policial - conduzido pelo delegado Joaquim de Melo, de Londrina -, não há dúvida da participação dos dois acusados no crime.
Ainda hoje o juiz Fernando Moreira Simões Júnior, da Vara Criminal de Sertanópolis, deverá decidir se acata ou não a denúncia.
O servidor Edison Arruda desapareceu na noite do dia 20 de maio, quando foi visto pela última vez saindo em seu carro da garagem do apartamento onde morava, no Residencial das Américas, zona norte de Londrina. Ele estava acompanhado de três jovens.
Depois de quase dez dias desaparecido, o corpo do servidor acabou aparecendo debaixo da ponte do Rio Couro do Boi, entre Sertanópolis e Ibiporã (14 km a leste de Londrina). O corpo apresentava duas perfurações no crânio, provocadas por arma de fogo.
Jeferson Sanches foi preso no final de junho pela polícia de Londrina e confessou a participação no crime. Mauro Gomes, apontado como o autor dos disparos que mataram o funcionário público, continua foragido. Além dos dois, W.S.S., 17 anos, irmão de Jeferson, teria colaborado no crime e também está foragido.
Ângela Zamariam informou ainda que solicitará à Vara da Infância e Juventude informações sobre o procedimento adotado em relação ao menor. Ela quer saber se foi aberto um processo em Londrina ou se o caso também será enviado a Sertanópolis.
Ontem, porém, nem o juiz Dimas Ortêncio de Melo, nem o promotor Marcos Neri de Almeida, da Vara de Infância e Juventude, tinham informações sobre o caso.
‘‘Amanhã vou ao cartório verificar o que ocorreu’’, informou Dimas de Melo, que em julho estava de férias.
O delegado Joaquim Antonio de Melo, do 4º Distrito Policial de Londrina, garantiu que enviou o inquérito para a Vara da Infância e Juventude e que os documentos foram recebidos no dia 19 de julho, por meio do ofício 150/99.
A juíza Oneide Negrão, que respondia pela Vara da Infância no período, não foi localizada ontem pela reportagem da Folha.

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