Dupla desviou R$ 30 mil via Internet
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
A Polícia Civil de Londrina registrou anteontem o primeiro caso de estelionato via Internet na cidade. Uma dupla roubou R$ 30 mil de oito clientes do Banestado nos últimos 60 dias. Para isso, eles envolveram mais cinco pessoas que ficaram com 30% do dinheiro. O inquérito está sendo conduzido pelo delegado operacional Marcio Vinícius Ferreira Amaro que pretende concluir o trabalho em 10 dias.
Segundo ele, os mentores são o metalúrgico Mário Celso Aranda e o agricultor Zadeir Ferreira dos Santos. O primeiro memorizava o número e a senha da conta observando as vítimas na fila dos caixas eletrônicos e o outro se incumbia de obter mais informações. Nenhum dos clientes roubados percebeu que estava sendo observado. Dias depois, cada um recebeu o telefonema de um suposto representante comercial que precisava dos dados pessoais para preenchimento de cadastro. Com isso, a dupla começou a movimentar as contas pelo serviço telefônico 0800 que limitava qualquer operação em R$ 800,00. Em seguida, passaram a utilizar a rede mundial de computadores, à qual todos os bancos estão conectados. É uma tarefa que qualquer pessoa pode fazer desde que tenha uma memória privilegiada como a de Aranda, comentou o delegado.
A suspeita surgiu com a série de reclamações dos clientes que não sabiam como o dinheiro vinha desaparecendo de suas contas. Os golpistas aproveitavam o serviço dos cyber pontos (empresas que oferecem acesso a Internet por hora) para transferir o dinheiro e foi justamente num deles que os investigadores conseguiram prendê-los. Ambos confessaram o crime e deram o nome dos laranjas envolvidos: Josias Albuquerque, Juliana Alba, Paulo Alves Feitosa, Nelson Palermo e Edson de Souza Leme. Os três primeiros já foram ouvidos pelo delegado, mas nenhum dos sete será preso. O flagrante não foi caracterizado, no entanto todos serão indiciados por estelionato cuja pena prevista é de um a cinco anos de reclusão, acrescentou Amaro, que ainda deverá ouvir o depoimento dos gerentes das agências Ouro Verde, Centro e Vila Casoni do Banestado.
Após a conclusão do inquérito, o delegado pretende pedir a prisão preventiva dos mentores do golpe, mas não está certo de que será atendido. Enquanto isso, os sete ficarão em liberdade até o julgamento do processo. Quanto às pessoas roubadas, Amaro acredita que elas deverão exigir o ressarcimento do banco.
A nova diretoria do Banestado, que foi arrematado pelo Itaú no mês passado, informou que este é o primeiro registro de golpe via Internet contra clientes do banco. A instituição está negociando o prejuízo com cada um deles separadamente, mas não se manifestou a respeito de mudanças nos serviços de auto-atendimento oferecidos por ela.


