A Polícia Civil de Londrina registrou anteontem o primeiro caso de estelionato via Internet na cidade. Uma dupla roubou R$ 30 mil de oito clientes do Banestado nos últimos 60 dias. Para isso, eles envolveram mais cinco pessoas que ficaram com 30% do dinheiro. O inquérito está sendo conduzido pelo delegado operacional Marcio Vinícius Ferreira Amaro que pretende concluir o trabalho em 10 dias.
Segundo ele, os mentores são o metalúrgico Mário Celso Aranda e o agricultor Zadeir Ferreira dos Santos. O primeiro memorizava o número e a senha da conta observando as vítimas na fila dos caixas eletrônicos e o outro se incumbia de obter mais informações. Nenhum dos clientes roubados percebeu que estava sendo observado. Dias depois, cada um recebeu o telefonema de um suposto representante comercial que precisava dos dados pessoais para preenchimento de cadastro. Com isso, a dupla começou a movimentar as contas pelo serviço telefônico 0800 que limitava qualquer operação em R$ 800,00. Em seguida, passaram a utilizar a rede mundial de computadores, à qual todos os bancos estão conectados. ‘‘É uma tarefa que qualquer pessoa pode fazer desde que tenha uma memória privilegiada como a de Aranda’’, comentou o delegado.
A suspeita surgiu com a série de reclamações dos clientes que não sabiam como o dinheiro vinha desaparecendo de suas contas. Os golpistas aproveitavam o serviço dos cyber pontos (empresas que oferecem acesso a Internet por hora) para transferir o dinheiro e foi justamente num deles que os investigadores conseguiram prendê-los. Ambos confessaram o crime e deram o nome dos ‘‘laranjas’’ envolvidos: Josias Albuquerque, Juliana Alba, Paulo Alves Feitosa, Nelson Palermo e Edson de Souza Leme. Os três primeiros já foram ouvidos pelo delegado, mas nenhum dos sete será preso. ‘‘O flagrante não foi caracterizado, no entanto todos serão indiciados por estelionato cuja pena prevista é de um a cinco anos de reclusão’’, acrescentou Amaro, que ainda deverá ouvir o depoimento dos gerentes das agências Ouro Verde, Centro e Vila Casoni do Banestado.
Após a conclusão do inquérito, o delegado pretende pedir a prisão preventiva dos mentores do golpe, mas não está certo de que será atendido. Enquanto isso, os sete ficarão em liberdade até o julgamento do processo. Quanto às pessoas roubadas, Amaro acredita que elas deverão exigir o ressarcimento do banco.
A nova diretoria do Banestado, que foi arrematado pelo Itaú no mês passado, informou que este é o primeiro registro de golpe via Internet contra clientes do banco. A instituição está negociando o prejuízo com cada um deles separadamente, mas não se manifestou a respeito de mudanças nos serviços de auto-atendimento oferecidos por ela.

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