Duas letras, muito significado
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Apenas duas letras são suficientes para endereçar uma das avenidas mais significativas e extensas de Londrina, a J.K. Significativa pelo comércio dinâmico e variado, e extensa por ligar as regiãos Leste e Oeste, com início na Avenida Tiradentes e término na Santos Dumont. Tanta funcionalidade assim, só poderia caracterizá-la como ''a espinha dorsal da cidade''.
Mas o fato do nome Juscelino Kubitschek ganhar a abreviação JK não se limita somente à facilidade de pronúncia e escrita, já que a avenida carrega o nome do presidente que marcou a história política e progressista do País.
O movimento intenso, durante 24 horas, também colabora para a fama do local. O que não é surpresa para uma via que abriga comerciantes de todos os ramos, além de órgãos públicos, igrejas, cemitério e escolas. Tamanha diversidade não deixou muito espaço para moradias.
Em uma das poucas residências, o morador Cláudio Pereira Rezende, de 70 anos, admite que o sossego passa longe da avenida de dois sentidos. ''A vantagem é que tenho tudo que preciso ao alcance. Fora isso, a única coisa boa de morar aqui são as lembranças de infância'', revela.
Morador desde os sete meses de idade, mais especificamente desde 1938, Rezende lembra com precisão de todos os detalhes da avenida que, até meados de 50, era constituída apenas por pastos e cafezais das famílias chacareiras. ''O único comércio existente era o frigorífico do meu pai, que abastecia quase a cidade toda'', conta.
Quase duas décadas depois, a JK nasceu com nome de Avenida Perimetral. ''Antes disso, ela teve o nome de 'Jacarezinho'. Quando se transformou em JK, já estava asfaltada, mas o comércio ainda era tímido'', lembra Rezende, que mesmo depois de tantas transformações, ainda descreve o endereço como um lugar extremamente comercial. ''Sempre foi assim, com poucos moradores'', diz.
Quando perguntam para Rezende seu endereço, a resposta é breve: JK. Mas se houver necessidade de dizer o nome completo, a história é bem diferente. ''Até hoje preciso conferir a escrita do Kubitschek na lista telefônica. Aposto que não sou o único'', brinca.
E não é mesmo. Segundo o taxista Jhony Xavier, de 40 anos, as pessoas sempre enrolam a língua quando tentam pronunciar o nome completo. ''Ah, mas nem precisa. Todo mundo conhece como JK e pronto'', simplifica.
A jornada de trabalho, que começa às quatro da manhã, faz com que Xavier presencie muitos acontecimentos na avenida. ''Já vi todo tipo de acidente, jovens disputando racha, molecada fazendo baderna, tudo. Mas nunca fui assaltado aqui. Para mim, a JK é tranquila'', diz.


