Mauro FrassonTranstornosRuas do centro ficaram alagadas, danificando veículos e dificultando o trânsito Duas horas de chuva forte na tarde de ontem provocaram alagamentos em praticamente toda a cidade de Curitiba. Quem estava na rua teve carros tomados pela água. Em bairros próximos aos rios que cortam a cidade, muitas casas foram inundadas.
Entre as 14 e as 16 horas, choveu 143 milímetros, quase o equivalente a média histórica de todo o mês de fevereiro, que é de 150 milímetros.
Saíram do leito os rios Belém, Atuba e Barigui. Até às 18h30, já tinham sido registradas pelo número 199 da Defesa Civil e da Guarda Municipal, 200 ocorrências só nos bairros de Campina do Siqueira, Santa Felicidade, Mercês, Rebouças e Boqueirão. No centro, o Corpo de Bombeiros já tinha atendido cerca de 100 ocorrências de alagamento.
Apesar dos números, não foi registrada nenhuma morte ou ferimento grave. E os desabrigados estavam sendo encaminhados, já no final da tarde, para abrigos improvisados, como o que foi montado pela Defesa Civil na Escola Estadual Germano Paciornik, do bairro Boqueirão.
Trânsito parado - Ruas movimentadas, como a Visconde de Guarapuava, a Augusto Stresser, a Ângelo Sampaio e a Marechal Deodoro, ficaram paralisadas. Muitos motoristas tiveram que abandonar os veículos ou então subir nos passeios para tentar se livrar da enxurrada.
Em alguns shoppings, como o Mueller, no centro, a água também invadiu os corredores. No piso da Avenida Cândido de Abreu, ela atrapalhou quem aproveitava o dia para fazer compras. Funcionários usavam rodos para retirar água, mas não houve grandes prejuízos nas lojas. E quem tentou sair, esbarrou em sinaleiros apagados, o que gerou ainda mais problemas no já confuso trânsito daquela região.
Os telefones do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil ficaram congestionados durante a maior parte do tempo. Várias equipes foram mobilizadas para as operações de resgate nos mais diferentes pontos da cidade, como na Favela do Barigui, onde duas idosas ficaram ilhadas durante várias horas.
Equipes extras da Diretran e da limpeza de ruas também foram acionadas em regime de urgência. A primeira para amenizar o problema dos sinaleiros e alagamentos. A segunda para retirar galhos e lixo acumulado nas ruas.
Estradas - Na BR-116 (sentido norte-sul), a água impediu parte do tráfego, nas proximidades do Supermercado Big. Mas na BR-277 (sentido leste-oeste) o problema foi ainda pior. Nas proximidades da fábrica da Coca-Cola, na saída para Paranaguá, um bueiro entupido fez deslizar cerca de 200 metros da faixa esquerda da pista, trancando parcialmente o trânsito de quem ia no sentido das praias. Ainda não há previsões de quando ela poderá ser novamente liberada.
Desabafo - ‘‘Foi tudo muito rápido. Chegamos e já estava tudo alagado’’, dizia Marcelo Miranda, funcionário da Farmácia Miranda, na Avenida Marechal Deodoro. Ele estava em casa quando foi chamado para tentar salvar alguns medicamentos.
‘‘Qualquer chuva que dá aqui, enche tudo’’, desabafava o metalúrgico Jorge Antônio, morador do bairro Uberaba. ‘‘Na sala da minha casa, a água já está cintura. Os bombeiros mandaram que eu e minha família saíssemos. Mas não tenho coragem de deixar minhas coisas. Tenho medo de acabar perdendo o que sobrou também’’.

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