Duas histórias e dois finais
Duas histórias recentes de alcoolismo ao volante no Paraná chamaram a atenção pelo desfecho diferente que tiveram. Na primeira, registrada em 17 de julho, um caminhoneiro embriagado, segundo garantem as testemunhas, matou cinco pessoas de uma mesma família. Revoltada, a população fez justiça com as próprias mãos e espancou o motorista até a morte. No segundo caso, ocorrido em 20 de julho, uma família de Arapongas foi atingida também por um caminhão no sábado, sobreviveu e perdoou o motorista que provocou o acidente.
No acidente ocorrido no bairro Barreirinha, na capital, o caminhoneiro bebia em um bar quando descidiu sair com seu caminhão. Tentou ligá-lo de ré e acabou passando sobre um Kadett, matando cinco pessoas e ferindo outras duas. Depois, sentiu a fúria da comunidade local que, revoltada, não esperou pelas providências da Justiça e o espancou até a morte.
Já em Londrina, em vez da revolta a família Detoni decidiu perdoar o motorista que por pouco não provocou outra grande tragédia por estar dirigindo embriagado. O vendedor Sérgio Detoni, 43 anos, a esposa Roseli, 34, e o filho Guilherme, de 11, tiveram o Uno em que estavam atingido pelo caminhoneiro e a família ainda tenta entender como sobreviveram. ''Meu filho só escapou porque caiu entre os bancos traseiro e dianteiro'', conta a mãe. O caminhoneiro foi parado num posto de guarda há quilômetros do local do acidente porque uma das placas do caminhão caiu com o impacto. Segundo a Polícia Militar, ele só soube que tinha batido em um carro após ser informado por um policial rodoviário.
Mas em vez de revoltar-se, Sérgio diz que perdoa o condutor ''porque ele também tem família'' e quer se encontrar com ele: ''enviei uma mensagem de conforto e quero conversar com ele, porque sei que está com depressão e não é porque fez uma coisa errada que vou apedrejá-lo''. (L.A.)





