Em menos de 24 horas, a Unidade Social de Internação de Londrina (Usoil) conhecido como Educandário sofreu duas fugas. No total, seis menores conseguiram driblar a segurança e se evadir. A última fuga ocorreu na tarde de ontem, quando dois internos fugiram. Na noite de anteontem, outros quatros conseguiram escapar. Na última segunda-feira, dois internos já haviam fugido após se recusarem a voltar para as dependências internas do Educandário depois de realização de atividades no pátio da unidade. Com capacidade para atender a até 70 adolescentes, o Educandário abriga pouco mais de 40. Até o fechamento desta edição, nenhum dos adolescentes havia sido recapturado.
Nas últimas ocorrências, a Polícia Militar foi chamada mas os policiais só entraram na unidade, ontem à tarde. A imprensa esperou do lado de fora até que policiais militares desocupassem a unidade, aguardando algum pronunciamento da direção. Porém, até por volta das 19 horas, os militares não haviam deixado a unidade. A direção da Usoil não quis falar sobre a nova ocorrência (veja matéria nesta página). Hoje, o diretor-presidente do Instituto de Assistência Social do Paraná (IASP), José Wilson de Souza, deve vir Londrina. Desde a sua inauguração, no dia 26 de julho, o Educandário já contabiliza três rebeliões e três fugas.
A equipe de reportagem da Folha conversou com alguns internos, através das janelas do prédio. Bastante agitados, os garotos contaram que os fugitivos arrebentaram cadeado do solar, subiram em cima do telhado e pularam o muro.
Um menor disse que estão sendo castigados e estão sem ducha para o banho. ''Falta roupa para nós. Trocamos de cinco em cinco dias. A gente fica o tempo todo com a roupa fedendo. Eles (a direção) não deixa entrar roupas da rua'', afirmou o garoto.
Outra reclamação dos internos é a falta de atividade. ''Aqui é igual a uma prisão. A gente fica o dia inteiro trancafiado sem fazer nada. Nós não estamos tomando sol e estão querendo diminuir o nosso alimento'', apontou outro interno.
Pela janela, um dos garotos disse que um companheiro está há dois dias vestindo somente cueca. ''A gente já é marcado pela sociedade. Dizem que isso aqui é para recuparar a gente. Isso não recupera ninguém'', afirmou o adolescente.
Aguardando em frente a unidade a permissão para entrar e entrevistar a direção da unidade, a equipe da Folha viu quando um aparelho de TV era transportado pelos educadores, que também passaram pelo corredor arrastando sacos de pano. (Colaborou Alan Maschio)

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